CCJ atende à defesa de Vargas e adia sessão pela sexta vez

Comissão de Constituição e Justiça não consegue votar o recurso do parlamentar, que contesta a decisão do Conselho de Ética de cassar seu mandato devido ao seu envolvimento com doleiro

RICARDO DELLA COLETTA, Estadão Conteúdo

05 de novembro de 2014 | 16h28

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, deputado Vicente Cândido (PT-SP), aceitou um pedido da defesa do deputado André Vargas (sem partido-PR), acusado de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, e adiou para a próxima semana a sessão que deve analisar um recurso movido pelo ex-petista contra um pedido de cassação aprovado pelo Conselho de Ética.

Os advogados de Vargas, Michel Saliba e Marcus Gusmão, argumentaram que têm nesta quarta-feira, 5, compromisso previamente agendado fora de Brasília, razão pela qual não poderiam comparecer. Em sua decisão, Vicente Cândido reagendou a reunião do colegiado para a próxima terça, 11, com o objetivo de "assegurar direito de ampla defesa e do contraditório".

Esta é a sexta vez que a CCJ não consegue votar o recurso de Vargas, que contesta a decisão tomada pelo Conselho de Ética. Se for rejeitado na CCJ, a decisão sobre a perda de mandato do parlamentar será decidida pelo Plenário da Casa. A ligação de Vargas com o doleiro, investigado no âmbito da operação Lava Jato, da Polícia Federal, veio a público quando foi revelado, no início do ano, que ele pegou carona em um jatinho pago por Youssef.

Nas investigações, ele aparece em várias trocas de mensagens com o doleiro e é apontado ainda como o responsável por indicar um ex-assessor do Ministério da Saúde para trabalhar no Labogen, laboratório que, de acordo coma a Polícia Federal, centralizava o esquema de lavagem de dinheiro de Youssef. Ele nega ter intermediado essa indicação.

Vargas era vice-presidente da Câmara dos Deputados e renunciou ao posto depois das revelações. Temendo danos eleitorais às campanhas da presidente Dilma Rousseff e dos candidatos petistas Gleisi Hoffmann, no Paraná, e Alexandre Padilha, em São Paulo, a direção do PT pressionou Vargas a também abrir mão do mandato. Ele acabou pedindo desfiliação do partido.

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