Causas são defendidas até o último segundo

Ativistas de diversas partes do mundo tentaram usar até o último minuto do Fórum Social Mundial para divulgar suas causas. Enquanto os membros da secretaria executiva faziam a avaliação do evento para os jornalistas no auditório 2 do Centro de Eventos da Pontifícia Universidade Católica (PUC), no final da manhã desta terça-feira, o PSTU bradava contra a Alca nas escadarias do edifício. Os militantes do partido brasileiro se retiraram gritando "palestino é meu amigo, mexeu com ele mexeu comigo" e procurando uma bandeira dos Estados Unidos para queimar. Conseguiram apenas uma diminuta cópia, de papel, e concretizaram o ato diante de um dos jardins da PUC.O espaço deixado pela PSTU nas escadarias logo foi ocupado por lésbicas que desfraldaram uma bandeira do movimento. A poucos metros, cinco japoneses silenciosos erguiam cartazes pedindo que os Estados Unidos desistam da guerra contra o Iraque. Uma das ativistas, Haruko Yomono, murmurava, em inglês, "paz para vocês" olhando os fotógrafos que logo se aglomeraram diante do grupo.Ao mesmo tempo, a médica Elena Kahn propagandeava a ação dos Guerreiros Verdes e denunciava os prejuízos que o cultivo de transgênicos estaria causando ao México. Também citava estudos indicando que o resultado do consumo de produtos geneticamente modificados são atrofias de ligamentos e redução da massa cerebral. A reclamação dos divulgadores do método Falun Dafa de refinar o corpo e a mente voltava-se contra o governo da China por perseguições e aos seus praticantes. Em clima de despedida, o professor Carlos Alberto de Carvalho, do Rio de Janeiro, se transformou num painel ambulante das lembranças recebidas de amigos feitos no fórum que lembravam diversos países do mundo. E o venezuelano Luis Soto partiu agradecido ao Fórum por unir tantas correntes favoráveis ao governo de Hugo Chávez.Longe do clima de uma festa de despedida que tomou conta da PUC, o ator norte-americano Danny Glover, passou a manhã conhecendo projetos sociais da prefeitura na periferia de Porto Alegre. "Temos questões a enfrentar aqui que são semelhantes às que temos de enfrentar em meu país", comentou, antes de partir.?Todo mundo peladão?Antes da debandada, um protesto inusitado movimentou o acampamento da juventude na noite de segunda-feira. Mais de 20 jovens, a maioria homens, tomaram banho nus sob os chuveiros ao ar livre instalados no parque. Depois, ainda sem roupas, saíram em passeata até o anfiteatro Pôr-do-Sol para acompanhar os shows da noite. No caminho, gritavam "abaixo a repressão, todo mundo peladão". Era um ato de solidariedade a uma indiana que havia sido reprimida pela polícia por ter tirado a roupa na hora do banho. E que acabou em confusão. A polícia usou 50 homens para acabar com a manifestação. Os nudistas foram forçadas a voltar às barracas para se vestir. Três manifestantes foram detidos e liberados em seguida e três foram levados ao pronto-socorro para cuidar de hematomas.Veja o especial sobre os Fóruns de Davos e Porto Alegre

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