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Catar impõe restrições sanitárias que impedem viagem para cobertura de visita de Bolsonaro

Sem aviso prévio, o governo do Catar editou uma norma que colocou os Emirados Árabes Unidos na lista vermelha de restrições

Felipe Frazão, enviado especial a Dubai, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2021 | 19h05

Uma repentina restrição sanitária de viagens internacionais imposta pelo governo do Catar a passageiros vindos dos Emirados Árabes Unidos impediu jornalistas que acompanham o giro do presidente Jair Bolsonaro pelo Oriente Médio de chegar a Doha para a cobertura.

Veículos de imprensa credenciados junto ao governo brasileiro, entre eles o Estadão, foram impedidos de embarcar nesta terça-feira, dia 16, para a cobertura das atividades de Bolsonaro na cidade que sediará a próxima Copa do Mundo de futebol. Entre elas, está o encontro com o Emir Tamim bin Hamad Al-Thani, uma visita ao estádio Lusail, um jantar com empresários, uma motociata com apoiadores, além de reuniões de alto nível ministerial e de negociação de produtos de Defesa.

Também ficaram barrados no embarque no Aeroporto Internacional de Dubai jornalistas da TV Globo, SBT, Record TV, CNN Brasil e Metrópoles.

Sem aviso prévio, o governo do Catar editou uma norma que colocou os Emirados Árabes Unidos na lista vermelha de restrições. É o único país do Conselho de Cooperação do Golfo (que inclui também Omã, Arábia Saudita, Bahrein e Kuwait) na situação.

O novo protocolo estaria relacionado a um ligeiro aumento de casos de covid-19, mas sem mortes no Catar.

Os dois países, embora vizinhos, disputam protagonismo na região e têm um longo histórico de embates geopolíticos relacionados ao Irã, interesses sobre reservas de gás natural e controvérsias comerciais por protecionismo na Organização Mundial do Comércio, além da notória disputa pela liderança de suas companhias aéreas, a Qatar Airways e a Emirates.

A medida impôs a necessidade de viajantes que desembarcavam em Doha permanecerem até dois dias em quarentena, numa lista restrita de hotéis indicados pelo governo, que deveriam ser exclusivamente reservados por pacotes comprados por meio da Qatar Airways.

A norma passou a valer nesta segunda-feira, dia 15, ao meio-dia. Os profissionais de imprensa souberam apenas no guichê de embarque do aeroporto, sem terem recebido informações prévias das embaixadas.

O procedimento passava pelo envio, por meio de um aplicativo de celular de controle imigratório e sanitário até então inacessível fora do país, de uma série de documentos: dados pessoais, passaporte, teste PCR negativo, comprovante de vacinação completa e do pacote de quarentena para dois dias nos hotéis selecionados em Doha. Mesmo que tudo pudesse ser apresentado na hora e remetido ao governo, a aprovação poderia demorar entre 1h e 72h, inviabilizando a cobertura jornalística.

O presidente, ministros, assessores e autoridades mais próximas estavam no Bahrein nesta terça-feira, dia 16. Eles foram avisados da situação. Bolsonaro e comitiva ficam em Doha apenas nesta quarta-feira, dia 17, e retornam ao Brasil na manhã de quinta, dia 18.

Diplomatas e integrantes da comitiva que não estavam a bordo dos aviões presidenciais da Força Aérea Brasileira (FAB) também passaram por dificuldades, mas em sua maioria conseguiram ser aceitos com base numa brecha normativa que os liberava de procedimentos burocráticos. O intérprete de línguas de Bolsonaro, por exemplo, conseguiu embarcar.

As normas do Ministério da Saúde catari previam que diplomatas e VIPs incluídos em visitas de Estado, como a de Bolsonaro, estão dispensados de parte substancial da burocracia do novo protocolo sanitário. A inclusão dos jornalistas brasileiros credenciados pelo Itamaraty na exceção era o caminho tentado, mas as gestões diplomáticas não foram suficientes para alcançar resultado a tempo.

Em comunicado, o Itamaraty disse que tomou conhecimento, ontem, da alteração nos protocolos de entrada no Catar para voos provenientes dos Emirados Árabes Unidos.

Também informou que a embaixada em Doha realizou “gestões junto ao governo catariano a fim de alcançar solução satisfatória para os casos de jornalistas credenciados e de membros da comitiva oficial que, em razão da nova medida restritiva, estão impedidos de ingressar no país”.

“É importante salientar, contudo, que a decisão sobre possível isenção às medidas restritivas ao ingresso de estrangeiros no Catar é prerrogativa soberana do governo catariano”, disse o Itamaraty.

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