Casual ensaiado

Punho de camisa arregaçado em candidato a cargo eletivo, diante de uma câmera, claro, nunca está ali por descuido. Figurino programado para vender a imagem de quem trabalha, as mangas de Marta Suplicy e Gilberto Kassab marcaram posição nada acidental, quase na altura dos cotovelos, na primeira edição de seus respectivos programas para o horário gratuito, ontem. Marta só surgiu de tailleur - e blusa vermelha, cor campeã das gravatas em debate eleitoral - quando se mostrou ao lado de Lula, em depoimento gravado em estúdio para explicitar o apoio do presidente.Geraldo Alckmin se acomodou na poltrona para contar sua trajetória desde Pinda. Novidade nenhuma. Mas conseguiu, ao menos na estréia, superar o ritmo power point view que lhe trai diante do teleprompter. Isso foi na edição noturna, porque na faixa das 13h, o candidato do PSDB surgiu apenas em cenas públicas de arquivo. A estréia do programa ocorreria logo mais, às 20h50, avisaram. Restou à platéia de eleitores do tucano (e só a ela, porque os adversários vão adorar) a esperança de um jingle melhor: a obra, apresentada na edição das 13h e suprimida na faixa noturna, ignora rimas e repetição de versos à moda chiclete, que gruda nos ouvidos. Parece feita sob medida inversamente proporcional aos mandamentos de marketing.Marta adaptou o repente que embalou a última campanha de Lula, e "deixa o homem trabaiá" virou "deixa ela trabaiá". O mantra encerrou o primeiro programa da candidata do PT para, em seguida, dar lugar a um garoto-propaganda afrodescendente, com perdão pelo termo politicamente correto, que argumenta por que se deve deixar "o homem trabalhar". A plataforma da vez já era de Gilberto Kassab. E o prefeito lotou seu espaço com imagens suas ao lado de José Serra, todas de arquivo. Na edição noturna, Kassab veio na esteira de videoclipe em ode a São Paulo. E tome imagens de grávidas, partos, bebês. E o governador Serra, que na edição noturna surgiu em depoimento gravado para o programa de Alckmin, sumiu do segundo horário de Kassab.Soninha encarou performance solo e já desbanca Marta no quesito experiência televisiva. Em cenário de cartazes feitos a mão, a ex-VJ discorreu sua tese com a segurança de quem ocupa um estúdio no Projac, o complexo cenográfico da Globo. O mesmo não valeu para a gramática, ferida nos caracteres do programa da candidata do PPS: "Mais (sic) quem disse que não tem outro jeito?".

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