Cassol diz que filho foi usado por empresários

Segundo governador, Ivo Júnior conheceu os envolvidos em evento da Fórmula 1 e foi convidado para o esquema

Gabriela Cabral, especial para o Estado,

07 de abril de 2008 | 19h50

O governador de Rondônia, Ivo Cassol, deu uma entrevista coletiva no fim da tarde desta segunda-feira, 7, na própria residência, para explicar o envolvimento do filho na operação Titanic. Segundo ele, o filho foi usado pelos empresários denunciados para chegar até o pai com intenção de instalar uma montadora de veículos no município de Guajará-Mirim, fronteira com a Bolívia. Ivo afirmou que o filho conheceu os outros envolvidos em um evento de Fórmula 1 em São Paulo. Passado o primeiro contato, os empresários convidaram Ivo Júnior para conhecer o empreendimento deles no estado de Espírito Santo, que foi aceito.  Veja também: Advogado criminalista vê abusos nas operações da PF Galeria de fotos da Operação Titanic  Operações da PF: cerco ao jogo ilegalPF suspeita de governador de RO e procuradoria analisará casoPF prende filho do governador de Rondônia na Operação TitanicPF prende líder de esquema de fraudes na importação de carros  Depois disso, os envolvidos procuraram Ivo Júnior no município de Rolim de Moura para tentar usar a influência do filho para desbloquear os incentivos fiscais da empresa TAG. A empresa TAG funciona em Porto Velho uma sala comercial no centro da cidade e é beneficiada com um programa de incentivos estava com o incentivo bloqueado, mas Cassol não soube precisar o motivo desse bloqueio.  Segundo o governador, outras 14 empresas também recebem esse incentivo em Rondônia. Cientes de que Ivo Júnior era filho do governador do estado, os empresários tentaram negociar que este incentivo fosse liberado, em troca de um barateamento na compra de um veículo, o que foi recusado.  De acordo com Cassol, o outro encontro com os empresários foi durante um almoço em uma churrascaria no Rio de Janeiro, quando Ivo Júnior pretendia comprar um carro importado. Em 2003, um acidente destruiu uma Pajero Full, que era de Ivo Júnior, que estava na lista de compradores do carro modelo Cherokee, mas não chegou a ser pago nem entregue.  O advogado de Ivo Júnior está em Vitória, e o pai descartou a possibilidade de ir até a capital do Espírito Santo. "Ele está tranqüilo, espero que ele possa prestar os esclarecimentos para que volte logo", disse. Cassol disse estar convicto da inocência do filho e que pretende tomar providências no sentido de reaver a imagem do filho perante a mídia, juntando jornais que publicaram o fato para que haja retratação. "A gente que é inocente é que tem que provar a inocência", lamentou. Além disso, Cassol afirmou que vai continuar incentivando empresas que queiram se instalar em Rondônia. "Só não compro mais carro importado", brincou.

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