Cassel rebate Stephanes sobre plano de Direitos Humanos

Declaração volta a colocar ministros em rota de colisão, dando sinais de que crise no governo não foi sanada

LEONENCIO NOSSA E MARIÂNGELA GALLUCCI, Agencia Estado

11 de janeiro de 2010 | 17h31

Em mais um sintoma da crise provocada dentro do governo pelo Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, voltou a entrar em rota de colisão com colegas de Esplanada nesta segunda-feira, 11. Ele afirmou que não entende a reação de "setores localizados" dentro do governo ao plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). Segundo ele, a proposta foi amplamente discutida e assinada por todos os ministérios.

 

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Cassel disse que todos os ministérios analisaram a proposta do plano durante quatro meses e de que todos os ministros assinaram o documento ao comentar a posição do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que pediu a revisão do plano na parte referente à questão das invasões de terras.

 

"Todos os ministros assinaram. O plano passou por todo o governo. Eu também dei contribuições. A informação que eu tenho é a de que existe, sim, uma assinatura do secretário-executivo do Ministério da Agricultura", afirmou, referindo-se a José Geraldo Fontelles.

 

"Eu defendo o plano. É correto. Especialmente nas questões rurais, pois todas as suas ações induzem a soluções negociadas para se resolver os conflitos", disse Cassel a um grupo de jornalistas após participar de uma solenidade na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, no Centro Cultural do Banco do Brasil, em Brasília, a Lei de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater).

 

Cassel afirmou que o PNDH-3 tem o objetivo de combater a violência. "A violência no campo sempre serviu para acobertar a grilagem e o trabalho escravo", afirmou. "Eu acho que na agricultura existe classe média, alta, baixa. Os setores que se interessam por produção não estão preocupados com isso, mas com ambiente de paz no campo para que todos possam produzir melhor. Eu não vejo como alguém ainda possa defender violência no campo", disse.

 

Segundo ele, na área rural, o Ministério do Desenvolvimento Agrário já vem promovendo ações que estão contempladas no plano. "O que está no plano a gente vem fazendo junto com o Ministério Público e o Poder Judiciário, que criou o Fórum Nacional de Acompanhamento de Conflitos. Eu defendo o plano, busca criar no meio rural novo ambiente sem conflito, de paz e produção, que exclua a violência de uma vez por todas no meio rural brasileiro", afirmou.

 

Neste ano, de acordo com Cassel, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e o Ministério do Desenvolvimento Agrário contarão com R$ 626 milhões para investir em programas de assistência técnica voltados para a agricultura familiar e assentamentos da reforma agrária.

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