Cassel defende governo e ataca sem-terra e ruralistas

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel, atacou tanto os sem-terra quanto os ruralistas, críticos do programa de reforma agrária do governo. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na edição de hoje, ele disse que as bandeiras do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) estão esvaziadas e acusou líderes ruralistas de supervalorizarem o debate da reforma para fugirem de temas como trabalho escravo e desmatamento ilegal.

AE, Agência Estado

28 de abril de 2010 | 11h33

Enquanto o MST vê lentidão na criação de assentamentos, os ruralistas acusam o governo de ser leniente com os invasores de terras. Líderes ruralistas também acusam o governo de manter fora da reforma um estoque de terras desapropriadas, por falta de recursos para assentar as famílias. Para o ministro, a acusação dos ruralistas "é uma tentativa de confundir tudo".

"O Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) mantém um fluxo permanente de localização de terras improdutivas e a sua desapropriação, quando consideradas necessárias para a reforma. Elas não passam, porém, diretamente para as mãos do Incra. Em quase 95% dos casos enfrentam pendências, ora porque os proprietários recorrem à Justiça, ora porque órgãos do meio ambiente fazem interpelações", afirmou.

Cassel disse que o setor "supervaloriza o tema da reforma agrária" para desviar o foco da discussão de temas como trabalho escravo, desmatamento ilegal, envenenamento das lavouras e das águas. "A CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) também teme a questão da produtividade das terras. Ao ver que a reforma agrária acontece e avança sobre o latifúndio, teme que terras improdutivas sejam desapropriadas. Reage como um órgão de classe."

''Pauta genérica''

Sobre as críticas do MST, Cassel afirma que no passado "os movimentos envolvidos no ''Abril Vermelho'' tinham pautas bem específicas". "Hoje ela é uma pauta genérica, a agilização da reforma. Por que ocorre isso? Porque a reforma agrária andou, causando o esvaziamento da pauta." De acordo com ele, o governo Luiz Inácio Lula da Silva assentou 580 mil famílias em sete anos, "o que representa 60% de tudo foi feito na história da reforma agrária no País". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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