Cassar mandato de Demóstenes 'é exagero', diz defesa

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro afirmou nesta terça que cassar o mandato do seu cliente, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO), por ele ter tido as contas de um aparelho de telefonia móvel pago por Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, é um exagero. Castro, conhecido como Kakay, disse que Demóstenes já tinha assumido que recebera o aparelho, não tendo assim ocorrido contradição em relação ao que o senador relatou ao Conselho de Ética.

RICARDO BRITO, Agência Estado

29 Maio 2012 | 17h10

"Não há nenhuma contradição, não há nenhuma quebra de decoro. É claro que agora, depois que os fatos ocorreram, as pessoas olhando para trás podem dizer: ele não deveria ter aceitado o Nextel. Mas, sinceramente, tomar este fato como base para dizer que há quebra de decoro e cassar um mandato de um senador, no meu ponto de vista, é muito", afirmou Kakay ao fim da reunião, ao ressalvar que o conselho é "absolutamente soberano" para decidir o futuro do parlamentar.

O defensor de Demóstenes disse que o senador aceitou o Nextel - que agrega comunicação por rádio e telefonia celular em um único aparelho - como forma de facilitar o contato com as pessoas. O advogado disse que a base do Nextel é nos Estados Unidos e que por essa razão a conta é paga lá. Kakay disse que a "naturalidade" com que Demóstenes aceitou o presente mostra que ele "não tinha nenhuma ideia do que poderia ocorrer depois".

A polêmica envolvendo o Nextel foi o ponto mais vulnerável da defesa do parlamentar, na avaliação feita por integrantes do conselho. O advogado, entretanto, disse que considerou extremamente positivo o depoimento do senador, apesar de ressalvar que não lhe cabe fazer "análise política". Para Kakay, Demóstenes não deixou de responder nenhuma das perguntas feitas "de forma efetiva". Na entrevista, ele reafirmou que o senador foi ilegalmente investigado por três anos por procuradores da República e delegados da Polícia Federal.

Kakay disse que vai conversar com Demóstenes para decidir se eles dispensarão o depoimento à CPI do Cachoeira, marcado para quinta-feira. O advogado chegou a dizer que, diante dos esclarecimentos prestados hoje, o senador poderia deixar de ir à comissão parlamentar. Demóstenes, entretanto, foi convocado a depor. Essa condição, em principio, obrigaria o senador a comparecer à reunião.

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