Cassações poderão chegar a Jader

Embora apenas os senadores Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) e José Roberto Arruda (sem partido-DF) estejam no "olho do furacão" nesta semana, os parlamentares não se esqueceram do presidente do Congresso, Jader Barbalho (PMDB-PA). Acredita-se que a abertura do processo de cassação de ACM e do ex-líder do governo poderá desencadear um processo que acabará envolvendo Jader. O próprio presidente Fernando Henrique Cardoso já previu esse desfecho, para alguns interlocutores mais próximos. O instrumento para isso, avaliam senadores, teria de ser a CPI da Corrupção, que está sendo articulada por partidos de oposição. O líder de uma dessas legendas aposta em duas frentes que poderão levar ao presidente do Congresso. Uma delas é a CPI. Outra, as investigações que estão sendo feitas pelo Ministério Público. "O caminho ainda não está claro, definido, mas deve ser nesse sentido." Um outro parlamentar de oposição lembra das "vantagens" que a abertura da comissão traria no caso de Jader: possibilidade de quebra de sigilo bancário, fiscal e telefônico. O senador José Eduardo Dutra (PT-SE) lembra que o Conselho de Ética não tem instrumentos para apurar as acusações contra Jader Barbalho. "A relação do Jader com a Sudam tem de ser apurada por uma CPI", diz. Um outro senador aposta na quebra do sigilo bancário como forma de provar que Jader estaria envolvido com os desvios de recursos da Sudam. Um parlamentar da base aliada também raciocina na mesma linha, acreditando na cassação de Jader. "Se caírem os dois (ACM e Arruda), o PFL e o PSDB, no dia seguinte, colocam o Jader na linha de tiro." Dentro do Conselho de Ética, os parlamentares também já começaram a elaborar a estratégia que poderá "amarrar" as cassações, impedindo que Jader fique de fora. "Estamos trabalhando para, pelo menos, três cassações", revela um senador.

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