Cassação de Suassuna deverá ser ´engavetada´

Numa estratégia para impedir que o Senado venha a ser acusado pela opinião pública de fazer "pizza" no processo dos três senadores citados pela CPI dos Sanguessugas como supostos envolvidos com a máfia das ambulâncias, foi adiado para os dias 21 ou 22 a votação no Conselho de Ética da Casa dos relatórios sobre o envolvimento do líder licenciado do PMDB, senador Ney Suassuna (PB) com o esquema.A tendência de pelo menos 10 dos 15 integrantes do conselho era o de arquivar o relatório do senador Jefferson Péres (PDT-AM) que pede a cassação do mandato de Suassuna. A decisão de adiar a votação - e que deve se repetir até o final da legislatura - foi tomada no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), depois de o relator do conselho, senador João Alberto (PMDB-MA), ter feito no plenário a convocação para que a reunião na manhã de quarta-feira, 8.O senador Wellington Salgado (MG), que substitui Suassuna na liderança, confirmou o adiamento. Salgado encabeça o grupo que quer livrar o colega do julgamento, mesmo sabendo que o relatório de Jefferson Péres será rejeitado.A oposição discorda da medida. No seu relatório, Péres acusa Suassuna de ter agido com "leniência e negligência" ao manter no gabinete o assessor Marcelo Carvalho, preso pela Polícia Federal em maio, como um dos envolvidos no esquema da venda superfaturada de ambulâncias. "É pela ausência de controle demonstrada pelo senador, por seu desleixo com a coisa pública e com a dignidade e respeitabilidade do cargo que ele (Suassuna) está sendo julgado", afirmou.Suassuna tentou se reeleger e não conseguiu. No próximo ano, o conselho não terá mais competência para julgá-lo. Como o seu caso é considerado o mais grave, sua absolvição deve isentar de culpa os dois outros senadores acusados pela CPI dos Sanguessugas de suposta ligação com a máfia das ambulâncias, Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). Os três parlamentares afirmam que são inocentes.Os aliados do peemedebista poderiam optar por dois relatórios mais brando do que o de Péres. O do senador Wellington Salgado (MG), quer que a punição do colega se restrinja a uma "censura verbal". Já o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) apresentará um voto pedindo a sua absolvição, sob a alegação de que não houve denúncia contra ele. Mozarildo disse desconhecer que Suassuna foi acusado de suposto envolvimento no esquema pelo "chefes" da máfia das ambulâncias, os empresários Darci e Luiz Antonio Vendoin.Suassuna alega que foi traído pelo assessor Marcelo Carvalho, mas ainda assim mantém sua irmã, Mariana Cardoso Silveira, ocupando um cargo de confiança em seu gabinete. O mesmo ocorre com Maria Angélica Batista que disse ao corregedor Romeu Tuma (PFL-SP) ter sido indicada para a vaga por Darci Vendoin. "Elas são servidores competentes, não teria porque demiti-las", alegou.O senador também rebateu a informação de que estaria pagando o ex-procurador-geral da República Aristides Junqueira para defender Marcelo. "Eu sei lá quem está pagando, deve ser o tio rico dele", sugeriu, referindo-se a um parente de seu ex-assessor dono de uma rede de móveis de estilo. Ele disse que reassumirá a liderança ao final do processo que, acredita, vai inocentá-lo.Matéria ampliada às 20h41

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