Casos de morte no campo aumentaram no governo Lula

O presidente da Comissão Pastoral da Terra (CPT), Dom Tomás Balduíno, disse em depoimento nesta terça-feira à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da Terra que houve um aumento considerável do número de casos de assassinato no campo no primeiro ano de governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo ele, 73 trabalhadores rurais sem terra foram mortos em 2003."O aumento considerável dos assassinatos neste primeiro ano do governo Lula mostra bem que, quando o Executivo não reprime os movimentos sociais, como é costume em nosso país, o poder privado do latifúndio se encarrega de fazê-lo", afirmou Dom Tomás. Ele assinalou que as mortes aumentaram porque houve uma expectativa "muito grande" dos trabalhadores rurais desempregados, o que estimulou e fez engrossar o contingente de pessoas em busca de terra para trabalhar. Segundo o balanço divulgado pelo presidente da CPT, de 1985 a 2003, 1.349 pessoas foram assassinadas no campo, em 1.003 ocorrências diferentes. De acordo com o religioso, somente 75 das ocorrências até hoje foram julgadas, sendo que 64 executores foram condenados e 44 absolvidos, o que caracteriza, em sua opinião, o crescimento da impunidade no país. "A impunidade se torna a grande incentivadora e promotora dos crimes contra os trabalhadores do campo", afirmou Balduíno aos deputados e senadores.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.