Caso Tuma Jr.: Barreto afirma que não 'rifará' pessoas só por denúncias

Secretário nacional de Justiça foi flagrado em gravações negociando mercadorias com o chefe da máfica chinesa em SP

Ariel Palacios / BUENOS AIRES - O Estado de S.Paulo

06 Maio 2010 | 21h35

O ministro da Justiça Luiz Paulo Barreto declarou nesta quinta-feira, 6, ao desembarcar na capital argentina que a "a orientação do presidente Lula" sobre o escândalo que envolveria o secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, com o suposto líder da máfia chinesa em São Paulo, Li Kwok Kwen - também conhecido como Paulo Li - "é a de conhecer mais detalhes da investigação".

 

Segundo Barreto, a permanência de Tuma Júnior no posto dependerá do resultado das investigações: "o presidente Lula foi claro a esse respeito. Minhas declarações são as mesmas. Vamos investigar. É preciso ter mais elementos para tomar uma decisão como essa". "Nós não vamos - simplesmente por uma denúncia que não o envolve diretamente - sair rifando as pessoas, sair exonerando, condenando e executando a condenação em público. Não. Nós vamos avaliar as informações que eu receberei de quem investigou, isto é, a Polícia Federal. E, a partir dali, terei uma avaliação mais precisa para tomar uma decisão", explicou.

 

Segundo o ministro, "a investigação tramitou em São Paulo no ministério da Justiça. Ontem (referindo-se à quarta-feira) conversei com o diretor-geral (da Polícia Federal) e fiz um ofício formalmente solicitando informações, a fim de poder avaliar o melhor que fosse desse inquérito, para ver quais são os desdobramentos que houve nessa investigação no estado de São Paulo, que atingem uma pessoa especificamente em São Paulo que teria gravações citando ou com o Secretário Nacional de Justiça". Barreto afirmou que "a ideia é esperar e avaliar".

 

Barreto, que está em Buenos Aires para participar de um encontro de ministros da Justiça do Mercosul e países associados, afirmou a um grupo de correspondentes brasileiros na capital argentina que o secretário Tuma Júnior não está sendo investigado pela Polícia Federal: "a investigação foi aberta sobre esse cidadão naturalizado brasileiro (Paulo Li). A investigação não foi aberta contra o secretário nacional de Justiça".

 

Barreto reafirmou que seu objetivo "é conhecer o inquérito, para poder fazer uma avaliação mais precisa sobre esse brasileiro naturalizado". Fontes do ministério da Justiça indicaram ao Estado que Paulo Li havia sido professor de kung fu de Tuma "há muitos anos". Li teria sido professor de vários integrantes da Polícia Federal. Desde aquela época o chinês naturalizado brasileiro e Tuma Júnior seriam amigos. "Além disso, ele foi assessor parlamentar de Tuma", indicou a fonte.

 

Futuro Genro

 

O ministro Barreto também referiu-se à denúncia surgida sobre o namorado da filha do Secretário Nacional de Justiça, que segundo diálogos interceptados pela Polícia Federal, teria feito lobby para o futuro genro em um concurso público para preenchimento de vagas de escrivão da Polícia Civil de São Paulo: "o ministério da Justiça está aguardando. Solicitei informações à Polícia Federal. Não tenho os autos em mãos. Não sei a extensão do que consta nessa investigação feita em São Paulo. Espero uma resposta da Polícia Federal em breve, para aí, sim, com cópia do processo na mão, com cópia do que foi investigado nas mãos, fazer uma avaliação mais detalhada. Claro que, se não estiver em segredo de Justiça. Porque, se estiver, o Judiciário sequer vai poder oferecer esse tipo de cópia e nós vamos continuar junto com a Polícia Federal apurando e avaliando o que há para ter condição de uma avaliação mais precisa sobre o assunto".

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