Caso Schincariol deve ser arquivado

Petista João Pedro, relator da segunda representação contra Renan, afirma que faltam elementos para acusá-lo

Ana Paula Scinocca, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2015 | 00h00

Depois da absolvição na quarta-feira da acusação de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), está prestes a escapar de mais um julgamento. O segundo processo - em que ele é acusado de favorecimento à cervejaria Schincariol - pode nem chegar ao plenário. O relator da representação no Conselho de Ética, João Pedro (PT-AM), afirmou ontem que existem poucos elementos no caso e indicou que deve arquivar a denúncia.Da tribuna do Senado, ele prometeu apresentar seu relatório no início da semana e não quis dar detalhes. Mas avisou que não pretende ampliar as investigações nem convocar depoimentos, pois já concluiu o parecer. "Isso aqui não é CPI. O Conselho de Ética é limitado neste sentido", argumentou.A representação que cabe a João Pedro relatar acusa Renan de ter intercedido no Instituto Nacional do Seguro Nacional (INSS) e na Receita Federal em favor da Schincariol, para reduzir multas. A ajuda teria sido uma retribuição à cervejaria pela aquisição, por R$ 27 milhões, de uma fábrica de refrigerantes da família Calheiros em Alagoas. A fábrica estava prestes a ser fechada e era avaliada em R$ 10 milhões. Renan ainda é acusado de ter grilado terras em Alagoas em parceria com seu irmão, o deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL)."Vou fazer o meu parecer absolutamente com a maior tranqüilidade, mergulhando nos dois pilares que envolvem o debate, o técnico e o político", discursou João Pedro ontem. Ele destacou que está trabalhando com "assessores competentes e advogados". Também antecipou que não vai associar a denúncia sobre a Schincariol com a acusação anterior, da qual Renan foi absolvido pelo plenário. "Embora seja o mesmo senador envolvido, vou trabalhar para não misturar as investigações."NA ESPERAO terceiro processo contra Renan no Conselho de Ética, ao contrário, ainda nem tem relator. O presidente do conselho, Leomar Quintanilha (PMDB-TO), não definiu um nome para investigar a denúncia de que o presidente do Senado teria usado laranjas para comprar duas rádios e um jornal em Alagoas. Ontem, Quintanilha não retornou os telefonemas da reportagem do Estado. Sua assessoria de imprensa informou apenas que ele estava no interior do Tocantins, em um evento de seu partido, o PMDB.O PSOL já protocolou uma quarta representação na Mesa Diretora do Senado. Nela, o partido acusa Renan de ter participado de um esquema de desvio e lavagem de dinheiro em ministérios chefiados pelo PMDB.

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