Caso ''ressuscita'' financiamento público

Castelo de Areia reacendeu debate sobre o tema na reforma política

, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 00h00

Parlamentares avaliam que a aprovação da proposta de financiamento público de campanha, dentro da discussão da reforma política, seria o melhor caminho para reduzir os riscos do relacionamento entre empresas e políticos através das doações eleitorais. Se adotado, proibirá qualquer tipo de contribuição por empresas. As campanhas passarão a utilizar verbas da União."Não existe solução fácil, nem perfeita, para essa questão de doações eleitorais. Mas o financiamento público de campanha é um caminho, até porque dá igualdade de condições para candidatos que têm menos recursos", diz o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR). "Mas é importante abrir essa discussão."O deputado admite que existe no Congresso um clima de dificuldade para discutir doações eleitorais com alguns setores, como o das empreiteiras. "Estamos no limite da paranoia. Sobre o que devemos fazer, o que podem pensar. Temos conversado sobre isso nas discussões de bancada", afirma Fruet, recebendo a concordância do colega de partido Vanderlei Macris (SP). "A situação está chegando num limite. É importante que seja feita uma discussão sobre o assunto", destaca Macris.Apesar do mal-estar causado pela Operação Castelo de Areia, que levantou suspeitas de doações não contabilizadas, alguns parlamentares já avisam que dificilmente se faz campanha sem verba de empreiteira. "Serei franco como sempre sou. No desespero da campanha, onde faltam recursos, não tem como o candidato recusar a doação de uma empreiteira", admite o deputado Maurício Rands (PT-PE). "Até porque são doações legais, registradas. Mas o que for feito à margem da lei por empresas desse setor ou de qualquer outro tem de ser condenado e punido. Isso não se discute", afirma Rands.VOTAÇÃO EM LISTAO deputado petista também defende o financiamento público, mas com a adoção do sistema misto de votação em listas. Ou seja, metade dos candidatos seria escolhida através do voto numa relação apresentada previamente pelos partidos. A outra metade das vagas ficaria para a escolha direta do eleitor."Isso fortaleceria também os partidos como instituição e inibiria as empresas que quisessem fazer determinados acertos de caixa 2 diretamente com esses políticos. E, se alguém aparecer com uma campanha muito cara, vai acabar sendo denunciando pelos próprios colegas de partido, porque é sinal de que algo irregular está acontecendo", explica Rands.Para o presidente do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), o financiamento público é útil para ajudar a coibir eventuais problemas no relacionamento de empresas com os políticos. O DEM defende publicamente a adoção desse mecanismo. Mas ele acha que o melhor caminho para reduzir os problemas com doações eleitorais está na ampliação dos mecanismos de controle interno dos governos."Existe uma cultura entre fornecedores de serviço e Estado que não é adequada. O problema é que os controles internos não representam o Estado, mas o indivíduo que naquele momento ocupa o poder. Enquanto isso não mudar e esses controles não se tornarem controles de Estado, essa cultura inadequada vai continuar sendo forte", critica Maia.

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