Caso Renan pode complicar votação da CPMF no Senado

O governo conta com uma margem muito estreita de votos para aprovar no Senado, até dezembro, a emenda que prorroga até 2011 a vigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Pior: em conversas reservadas, ministros avaliam que o clima de conflagração no Senado, causado pela insistência do presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), em permanecer no cargo poderá prejudicar a votação. Pela contabilidade do Palácio do Planalto, o governo conta com 51 votos no Senado, apenas dois a mais do que o necessário para esticar a validade do chamado imposto do cheque até 2011.Um importante auxiliar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou que a situação do aliado Renan Calheiros é cada dia mais preocupante, e o desfecho da crise política, imprevisível, podendo causar instabilidade. Em conversas reservadas, ministros avaliam que a queda de Renan é uma questão de tempo, já que o senador perdeu até a retaguarda do PT. Na tentativa de aprovar a CPMF para manter uma receita prevista em R$ 40 bilhões, no próximo ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, entrou em cena e passou a telefonar para governadores. Mantega tem cobrado retribuição ao gesto do governo, que deu sinal verde para a renegociação das dívidas de vários Estados. Outro argumento usado é o de que o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) correrá risco de vida se o chamado imposto do cheque for extinto.A expectativa no Planalto é de que os governadores de São Paulo e Minas, José Serra e Aécio Neves, ambos do PSDB, e o do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM), orientem as bancadas de seus partidos no Congresso a votar favoravelmente à CPMF. Cálculos do governo indicam que a votação da emenda em segundo turno no Senado pode chegar perto do Natal.Lula pediu o apoio de Aécio quando o governador de Minas esteve em Brasília, recentemente. "Eu não divido a CPMF com os Estados, porque, se eu compartilhar, ela nunca acaba", afirmou. No diagnóstico do presidente, Serra e Aécio têm interesse na prorrogação, porque são pré-candidatos à Presidência.Para engordar a base aliada, o governo já conseguiu que três senadores do DEM trocassem de partido: César Borges (BA) filiou-se ao PR, Édison Lobão (MA) foi para o PMDB, e Romeu Tuma (SP) está de malas prontas para o PTB. O Planalto dá como certos também os votos dos senadores Rosalba Ciarlini Rosado (DEM-RN), Jayme Campos (DEM-MT), Jonas Pinheiro (DEM-MT), Adelmir Santana (DEM-DF) e Antonio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA) a favor da CPMF.O problema é que há dissensões nos partidos da coalizão: Lula já foi informado de que, além dos peemedebistas Jarbas Vasconcelos (PE), Pedro Simon (RS) e Mão Santa (PI), o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) pode abandonar o barco do governo na votação de maior interesse do Executivo.Com pressa de concluir a votação da CPMF na Câmara, Lula revogou ontem a medida provisória que tratava da aposentadoria dos trabalhadores rurais e estava trancando a pauta. Por volta das 17h30, o ministro da Previdência, Luiz Marinho, chegou ao gabinete do articulador político do governo, Walfrido dos Mares Guia, para negociar a retirada da MP.Mares Guia e Marinho prometeram à Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) que os trabalhadores rurais não sairão perdendo, porque há um projeto de lei tramitando na Câmara sobre o mesmo assunto, e o governo pedirá urgência na sua aprovação.

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