Caso Renan pode atrasar votação da LDO e recesso

Presidente do Senado enfrenta um ambiente hostil na Câmara e terá dificuldades para conduzir sessão conjunta; até votação, Congresso não pode entrar em recesso

Agencia Estado

02 de julho de 2007 | 09h32

O escândalo político que envolve o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), interfere diretamente na votação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) pelo Congresso. Pela Constituição, a LDO tem de ser votada até o dia 17 de julho, ou, do contrário, os deputados e os senadores não poderão entrar em recesso parlamentar no mês de julho.Deputados já prevêem que haverá disputa política no plenário com questionamentos sobre a legitimidade de Renan em permanecer no cargo, caso o presidente do Senado insista em presidir a sessão conjunta (constitucionalmente o presidente do Senado convoca e preside as sessões conjuntas do Congresso). Na Câmara, o ambiente será mais hostil a Renan do que no Senado. Para evitar constrangimentos, Renan poderá optar por deixar a sessão sob a responsabilidade do vice-presidente do Congresso, o deputado Nárcio Rodrigues (PSDB-MG), primeiro vice-presidente da Câmara. Entretanto, a ausência de Renan será entendida como uma incapacidade política de o senador enfrentar o plenário, expondo a sua fragilidade. Renan foi acusado de ter parte de suas despesas pessoais custeada por lobista da empreiteira Mendes Júnior e de ter apresentado recibos falsos para comprovar sua renda. O recesso parlamentar de julho é previsto pela Constituição no período de 18 a 31 de julho. O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse nesta sexta-feira, 29, no Guarujá, que manterá distanciamento da decisão de Renan de presidir ou não a sessão do Congresso que tratará da LDO. "Não me cabe fazer nenhuma ponderação nesse sentido porque acaba tendo uma dimensão política: se ele vai é uma atitude se ele não vai é outra atitude", disse Chinaglia.O presidente da Câmara afirma que a decisão cabe a Renan. "Existem manifestações de que ele não deveria presidir a sessão do Congresso e alguns deputados se manifestaram nesse sentido, mas eu não tratei esse tema com ele". Já sobre as denúncias contra o presidente do Senado, Chinaglia afirmou que esse é um assunto interno do Senado e que aguardará desfecho do trabalho do Conselho de Ética da Casa.Durante a manhã, Chinaglia participou de missa campal em homenagem a São Pedro na praia do Perequê, e após a cerimônia almoçou em companhia do Prefeito Farid Madi (PDT) e de alguns políticos da região em um restaurante na mesma praia.Renan enfrenta representação no Conselho de Ética por suspeita de ter recebido dinheiro de um lobista de uma construtora para pagar despesas pessoais.(Colaborou Rejane Lima)

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