Caso individual não pode parar votações, diz Lula

Presidente afirma que, se pauta for paralisada, ele terá ?uma conversa? com as lideranças do Senado

Denise Chrispim Marin, TEGUCIGALPA, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem uma advertência às lideranças do Congresso, durante entrevista coletiva concedida em Tegucigalpa, capital de Honduras, segunda parada da viagem a cinco países da América Latina. Segundo Lula, se houver atraso no Senado nas votações de projetos de interesse do País, ele chamará os líderes da Casa e dos partidos para "uma conversa" assim que retornar ao Brasil. "Nenhum caso individual pode atrapalhar as votações de coisas de interesse do nosso país", afirmou Lula, referindo-se ao estado de paralisia do Senado provocado pelas denúncias envolvendo o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). A paralisia aumentou com a decisão do DEM de obstruir a pauta de votação de projetos que, na opinião da oposição, não sejam de interesse do País, mas, sim, do governo. A uma pergunta a respeito da situação instalada no Senado, o presidente afirmou que, quando saiu do Brasil, no domingo passado, o Senado e a Câmara tinham concluído votações tidas como de grande importância.?N FATORES?Para o presidente, o atraso em votações no Senado pode estar relacionado a "n fatores". Ao ser abordado sobre essa questão, Lula não se mostrou ciente da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada anteontem, de abrir inquérito para investigar Renan. Lula chegou a perguntar aos jornalistas em que etapa estava esse processo contra o peemedebista.Ele insistiu, porém, em que seria preciso esperar o resultado das apurações que foram abertas pelo Conselho de Ética do Senado.Lula também argumentou que, por mais importante que o presidente da República possa ser, ele "não dá palpite" sobre o que vai ocorrer na suprema corte do País. "Sei que Renan está sendo investigado há muito tempo. Há dois meses só se fala na investigação da vida do senador", afirmou Lula. "Sei também que ele tem apresentado documentos para provar sua inocência."

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