Caso está encerrado, diz governo

Para Lula, afastamento do delegado Protógenes da investigação sobre Daniel Dantas é problema interno da PF

Lisandra Paraguassú, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

Três dias depois de cobrar a volta do delegado Protógenes Queiroz ao comando da operação Satiagraha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que o assunto agora é responsabilidade exclusiva da Polícia Federal. Na Colômbia para uma visita de Estado, o presidente afirmou que o problema é interno da PF."Eu não comento esse tema porque é um problema organizacional da Polícia Federal. Eu não indico ninguém para entrar e não posso indicar ninguém para sair", afirmou Lula. Para o governo, a melhor estratégia agora é tratar o assunto como se estivesse encerrado, já que Protógenes entregou seu relatório na última sexta-feira.Essa foi a posição defendida pelo ministro da Justiça, Tarso Genro, que acompanhou o presidente na visita a Colômbia. "Essa questão está totalmente encerrada. Ele (Protógenes) apresentou o relatório. Todas as questões agora são relacionadas com decisões da Polícia Federal e do Ministério Público. Não existe mais nenhuma pendência. Inclusive o próprio relatório do inquérito já foi feito", disse Tarso.Na última sexta-feira, o delegado apresentou uma denúncia ao Ministério Público Federal alegando ter sido pressionado a se afastar do inquérito da Satiagraha e reclamando de "obstruções às investigações no caso". Isso depois de a Polícia Federal ter, primeiro, alegado que Protógenes estava saindo por razões pessoais. Depois, ter divulgado gravações de parte da reunião entre o delegado e parte da direção da PF sugerindo que realmente Protógenes teria pedido para sair.Desde o anúncio da saída do delegado do comando da operação Satiagraha, na semana passada, o governo tem tido problemas para lidar com o tema. Primeiro, a versão oficial da PF foi de que o delegado e seus dois subordinados que tocavam a operação teriam saído por conta própria para cuidar de assuntos pessoais - no caso de Protógenes, um curso de especialização da carreira. Mas, no mesmo dia do anúncio, os delegados já espalhavam que teriam sido forçados a sair.Assim que soube do resultado, o presidente chegou a exigir, em uma entrevista, que Protógenes voltasse ao cargo para terminar a investigação que havia iniciado. "Acho que esse delegado tem de ficar no caso. Esse cidadão não pode, depois de fazer uma investigação de quase quatro anos, na hora de finalizar o relatório dizer ?eu vou embora fazer meu curso? e ainda dar vazão a insinuações de que foi tirado", afirmou o presidente no dia. Logo depois, Lula conversou com Tarso Genro para que Protógenes voltasse, mas na mesma tarde a PF já anunciou seu substituto, o delegado Ricardo Saadi, delegado há seis anos.Na última sexta-feira, Protógenes entregou o relatório com a denúncia do banqueiro Daniel Dantas e outras 12 pessoas, afirmando que cumprira o que lhe pedira o presidente Lula. "Como servidor público da PF, uma das reservas morais desse País, e cumprindo determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em obediência à ordem dos meus superiores, apresento nessa data a nossa singela contribuição na condução da Operação Satiagraha, em especial no combate à corrupção", declarou ao entregar o material.SAIA-JUSTAApesar de não gostar de tratar assuntos internos quando está fora do País, Lula teve de responder, ainda, sobre a possibilidade de um terceiro mandato no Brasil. Uma jornalista colombiana, aproveitando a ocasião, perguntou a Lula e a seu colega Álvaro Uribe se ambos consideravam a hipótese. Uribe, na verdade, namora o tema há algum tempo.Lula, que critica abertamente a possibilidade dentro do Brasil, ressaltou que é sempre "muito delicado falar sem levar em conta a realidade política de cada País". "Só posso falar pelo Brasil. A minha posição é que no Brasil não há hipótese de um terceiro mandato".O presidente colombiano desconversou. Disse que "não era partidário da perpetuação do poder", mas que era necessário levar em conta a "segurança democrática".

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