(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
(Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Caso do Coaf não é assunto de governo, diz general Santos Cruz

Futuro ministro-chefe da Secretaria de Governo considera movimentações atípicas de ex-assessor do filho do presidente eleito uma questão 'parlamentar'

Marianna Holanda e Breno Pires, O Estado de S.Paulo

27 Dezembro 2018 | 17h45

O futuro ministro-chefe da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, afirmou nesta quinta-feira, 27, que o caso do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), em que um ex-assessor de Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) movimentou R$ 1,2 milhão, "não é assunto de governo", mas "de parlamentar".

A declaração foi dada no dia seguinte à entrevista de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio Bolsonaro, ao SBT. Ele faltou a duas audiências marcadas com o Ministério Público para prestar esclarecimentos. Flávio é deputado estadual e foi eleito para senador neste ano.

"Isso aí não é um assunto de governo, apesar de ter o sobrenome, a pessoa ser filha do presidente, sempre tem um reflexo, mas não é assunto de governo. É assunto de parlamentar", afirmou Santos Cruz, ao chegar na sede de transição do governo no CCBB. Ele disse ainda que não vai se "preocupar com aquilo que não é essencial no momento". 

O futuro ministro também disse que não viu a entrevista de Queiroz e que não conversou com os outros ministros sobre isso. Mais cedo, estavam reunidos em um curso de gestão pública e governança na Escola Nacional de Administração Pública (Enap).

O ex-assessor veio a público pela primeira vez após o Estado revelar que um relatório do Coaf o implicava, com transações em um período de 1 ano, quando trabalhava no gabinete do primogênito do presidente eleito. Queiroz disse que a movimentação se devia a compra e revenda de carros, mas não explicou depósitos de outros assessores de Flavio Bolsonaro em sua conta.

Santos Cruz reconheceu, contudo, que "pela relação de parentesco, pode ter uma consequência qualquer", mas insistiu que se deve "separar as coisas". "Qualquer pessoa pública, ela tem que esclarecer aquilo que é duvidoso, sem dúvida nenhuma. Isso é normal", afirmou.

Ministério. Santos Cruz disse também que, como gestor, irá priorizar a contratação de técnicos no quadro de funcionários. "Vou ficar muito longe do limite possível de indicações politicas. Você tem um limite se nao me engano de 50% para cargos até DAS-4, e depois 60% para DAS-5 e 6. A máxima do meu pessoal é funcionário de carreira.", afirmou. 

"Pessoal de carreira deve ser valorizado", concluiu, antes de entrar na reunião ministerial.

Casa Civil. Já o futuro chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, disse que não irá comentar as declarações de Fabrício Queiroz. 

"Não vou falar sobre isso, não me cabe falar sobre isso. Estou tentando mostrar ao Brasil o fruto dos trabalhos nestes dois meses", disse Lorenzoni em coletiva de imprensa, na qual apresentou o plano dos primeiros 100 dias de governo. Ele negou que o tema tenha sido discutido entre ministros durante um curso de capacitação em gestão e governança realizado nesta quinta-feira. "Não conversamos sobre esse assunto".

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