Caso de cubanos é denunciado na OEA

A denúncia apresentada à 31ª Assembléia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a atitude do governo cubano de manter em Cuba a filha de um casal residente no Brasil foi interpretada, nesta terça-feira, como um "escândalo desnecessário" pela embaixada de Cuba em Brasília.O conselheiro de imprensa da embaixada, Juan Loforte, disse nesta terça-feira que o envolvimento da OEA no caso provocou um "mal-estar dispensável".Nesta segunda-feira, o diretor da Junta Patriótica Cubana, Claudio Benedi Beruff, fez a denúncia formal na reunião da OEA, que teve início no último domingo, na Costa Rica, com participação de 34 países membros.Beruff leu uma carta-manifesto diante de integrantes da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, em favor da autorização de Cuba para que Sandra possa se juntar aos pais no Brasil. O casal Zaida Jova Aguila e Vicente Bezerra Sablón veio para o Brasil há quatro anos fazer pós-graduação na Universidade de Campinas (Unicamp), a 100 quilômetros de São Paulo, com uma bolsa de estudos do governo cubano.Eles deixaram a filha com a avó materna na cidade de Santa Cruz, a 200 quilômetros de Havana. Há três anos, Zaida e Vicente decidiram permanecer no País, após o nascimento, em Campinas, de seu segundo filho, o menino Daniel.Desde então, tentam junto ao governo cubano obter autorização para trazer à cidade sua primeira filha, Sandra, de 11 anos. O caso veio a público há pouco menos de um mês. Zaida e Vicente têm evitado falar com a imprensa sobre o assunto. De acordo com Loforte, a denúncia foi desnecessária, uma vez que se trata de um assunto migratório que está tramitando em Havana."A situação migratória da mãe da menina está irregular. Quando a documentação estiver em ordem, Sandra poderá vir ao Brasil", afirmou. O conselheiro de imprensa da embaixada cubana garantiu que a retenção da garota em Cuba não tem nenhuma finalidade política. Ele lembrou que o casal veio ao Brasil com uma bolsa de estudos cubana, a partir de um acordo do país com universidades brasileiras."Eles eram funcionários do governo e abandonaram a bolsa. Agora precisam regularizar sua situação", alegou. Loforte acrescentou que atualmente pelo menos 100 estudantes cubanos freqüentam universidades brasileiras, a partir do acordo entre os dois países.Segundo ele, o casal Zaida e Vicente foi o único a dispensar a bolsa de estudos cubana para permanecer no Brasil."É o único caso que conheço de pedido de permanência e de autorização para a vinda da filha", disse o conselheiro. A Unicamp voltou a informar nesta terça-feira que o caso dos alunos cubanos refere-se estritamente à esfera da diplomacia. Disse que não pode interferir, mas que se colocou à disposição dos estudantes para facilitar o contato com os meios diplomáticos.Ainda segundo a Unicamp, há uma semana o Conselho Universitário, formado por alunos, funcionários e professores, aprovou uma moção de apoio ao casal, encaminhada ao presidente Fernando Henrique Cardoso e ao Itamaraty.

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