Itamar Miranda|Agência Estado
Itamar Miranda|Agência Estado

Caso Celso Daniel foi laboratório para mensalão e desvios na Petrobrás, diz jornalista em livro

De acordo com Silvio Navarro, modelo investigado na prefeitura de Santo André foi o mesmo observado em escândalos

Daniel Weterman, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2016 | 18h43

A morte de Celso Daniel em 2002 e o esquema de corrupção na prefeitura de Santo André, pano de fundo do assassinato, foi o laboratório para o modelo dos escândalos do mensalão e do investigado pela Operação Lava Jato, praticados e revelados mais tarde. Essa é conclusão do cenário político narrado pelo jornalista Silvio Navarro em livro sobre o caso, a ser lançado na semana que vem.

O modelo do esquema investigado na prefeitura de Santo André na época, envolvendo desvios de recursos por políticos e empresários para abastecer campanhas eleitorais do PT, foi o mesmo observado depois em outros escândalos nacionais, com cifras maiores, afirma Navarro. "Santo André foi o laboratório do esquema de corrupção que mais tarde seria reproduzido em escala nacional no mensalão e no petrolão, que a Lava Jato descobriu", disse o autor, durante entrevista à Rádio Estadão nesta quarta-feira, 26.

O livro Celso Daniel - Política, Corrupção e Morte no Coração do PT (Ed. Record) narra os fatos que envolvem o crime e que foram investigados, além das implicações políticas da morte do político. Celso Daniel foi raptado no dia 18 de janeiro de 2002 após um jantar em São Paulo com o empresário Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, e encontrado morto dois dias depois em Juquitiba, na região metropolitana da Capital.

Com base em denúncias do Ministério Público, o jornalista destaca que o esquema era coordenado por Klinger de Oliveira Souza, apontado como um "super secretário" da gestão de Celso Daniel, e pelo empresário Ronan Maria Pinto, que foi também alvo da Lava Jato. Os dois teriam passado a operar ao lado de Sombra nos desvios. "Segundo a Promotoria, eles montaram um caixa 3, começaram a pegar para si dinheiro que deveria ser desviado para caixa 2 (e abastecer a campanha)", diz Navarro. Sombra morreu em setembro deste ano.

"Quando emerge o esquema de corrupção da prefeitura de Celso Daniel, há uma tentativa de dizer que foi crime urbano", destaca Navarro. Mortes "misteriosas" de pessoas ligadas ao caso também são resgatadas na publicação.“Escrevo e digo que três carros estavam na cena do crime, e não dois, pelo menos por duas testemunhas que no livro dizem isso”, comenta Navarro. 

Mais conteúdo sobre:
Editora Record

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.