Caso Battisti faz Itália chamar de volta embaixador

O governo da Itália convocou hoje seu embaixador no Brasil para consultas, após a libertação do ex-ativista Cesare Battisti esta semana. Solto da prisão em que se encontrava em Brasília entre a noite de quarta-feira para quinta-feira, Battisti havia sido condenado na Itália pelo envolvimento em quatro homicídios na década de 1970. No meio diplomático, a convocação de um embaixador para consultas é uma forma de protesto contra um país.

GABRIEL BUENO, Agência Estado

10 de junho de 2011 | 08h49

Battisti conseguiu a libertação após o Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitar um pedido de extradição da Itália. O país europeu anunciou que pretende levar o caso ao Tribunal Internacional de Justiça da Organização das Nações Unidas (ONU), em Haia. Os grandes jornais italianos traziam hoje em suas capas fotos de Battisti deixando a prisão.

O presidente Giorgio Napolitano disse que "deplorava" a decisão brasileira e afirmou que apoiava ações para pressionar o Brasil a honrar um acordo de extradição que possui com a Itália. O primeiro-ministro Silvio Berlusconi também lamentou a decisão do STF. Um grupo que representa vítimas do terror sugeriu que a Itália não participe da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, enquanto outras entidades pediram um boicote aos produtos brasileiros.

Em dezembro, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu asilo ao italiano, que afirma ser inocente e se diz um perseguido político. Battisti escapou de uma prisão italiana em 1981, enquanto aguardada julgamento. Ele foi membro do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), nos anos 1970, quando teria tido envolvimento com os crimes, segundo os processos na justiça italiana pelos quais foi condenado. As informações são da Dow Jones.

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