Caseiro confirma "até morrer" que Palocci frequentava casa

O caseiro Francenildo dos Santos Costa reafirmou à CPI dos Bingos que o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, era freqüentador da casa no Lago Sul, em Brasília, onde se reuniam os integrantes da chamada república de Ribeirão Preto. "Confirmo até morrer", disse o caseiro em resposta à pergunta da senadora Heloísa Helena (PSOL-AL).Francenildo disse que o ministro freqüentava a casa, como também era amigo de Rogério Buratti, fatos negados por Palocci. "É minha palavra contra a do ministro", afirmou. Perguntado por que decidiu falar agora, Francenildo disse que era uma pessoa de bem, que nunca fez nada contra a lei "aí eu senti que tinha de falar". A rotina da casa e as visitas do ministro foram revelas com exclusividade pelo caseiro ao Estado. Segundo o caseiro, Palocci ia à festas realizadas de noite na casa, por volta das 18h30 e 19 horas. "Às vezes demorava para sair", contou. De acordo com o caseiro, Palocci normalmente ia sozinho. O caseiro disse que a primeira vez que Palocci foi à chegou acompanhado do secretário Ademirson Ariovaldo da Silva. Segundo ele, as pessoas referiam-se ao ministro como "chefe". Disse que descobriu quem era o chefe quando ficou de "mutuca" e viu o ministro entrando na casa.Francenildo disse que comentou a descoberta com o motorista Francisco das Chagas Costa. Ao abrir seu depoimento, o caseiro assegurou que está falando a verdade e disse que se tivesse um celular com câmara fotográfica teria tirado uma foto para comprovar. A malaO caseiro identificou entre 12 fotos projetadas na CPI, a de Juscelino Dourado, do ex-chefe de gabinete do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Disse que já tinha visto Dourado na churrasqueira. Quando foi projetada a foto de Palocci, comentou: "Esse era o chefe". As fotos foram apresentadas durante a pergunta do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). O caseiro disse ao senador que ficou indignado quando viu seu nome sendo citado pelos jornais. O senador perguntou se ele confirmava que tinha visto dinheiro. Ele confirmou. "Vi na mala do Wladimir (o Wladimir Poleto)quando ele fazia o pagamento. Era dinheiro que forrava o fundo da mala", contou.Ele relatou ainda o episódio em que acompanhou o motorista até o Ministério da Fazenda para levar um pacote de dinheiro para Ademirson Ariovaldo da Silva. O caseiro disse ainda que entre os freqüentadores da casa, Palocci conversava mais com Buratti que com os outros.Ele disse que ficou sabendo que Wladimir Poleto e Rogério Buratti tinham brigado pelo motorista Francisco das Chagas Santos. Ao ser perguntado pela senadora Heloísa Helena se sentia entre eles uma amizade verdadeira por Palocci ele respondeu: "Ave Maria, se não era amigo, era o quê?"

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