Casamento é teste de prestígio para Dilma Rousseff

Convidados tentaram minimizar o evidente caráter político do evento; festa contou com presença de Lula

SINARA SANDRI, REUTERS

19 de abril de 2008 | 10h20

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reuniu ministros, governadores, parlamentares e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva para celebrar o casamento da filha única da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff,   na noite de sexta-feira. Os convidados tentaram minimizar o evidente caráter político do evento, mas admitiram que o momento era de reconhecimento do prestígio de Dilma. "A maioria (dos políticos convidados) não conhece os noivos. Seguramente, (a presença) é pela Dilma", disse o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP) à Reuters. Dilma Rousseff está no alvo das atenções em função do vazamento, pela Casa Civil, de informações sigilosas sobre gastos presidenciais. Os dados fariam parte de um suposto dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas o caráter de desagravo do evento foi recusado por vários convidados. "A ministra não precisa de solidariedade ou desagravo, é uma figura essencial do governo", disse o assessor de assuntos internacionais de Lula, Marco Aurélio Garcia, a jornalistas. "Os problemas que estão ocorrendo são de menor monta. É simplesmente a expressão de amizade e reconhecimento ao extraordinário trabalho que vem realizando neste governo." Para o presidente da Câmara dos Deputados, Arlindo Chinaglia (PT-SP), o motivo para o deslocamento de tantas autoridades até Porto Alegre era festivo. "Ninguém vai a um casamento por política, vai por amizade", disse Chinaglia a jornalistas. Demonstrar amizade também seria a intenção dos governadores Jaques Wagner (PT-BA), Sérgio Cabral (PMDB-RJ) e Roberto Requião (PMDB-PR) --este último afirmou ser "amigo de muito tempo" da ministra. SolidariedadeA maioria dos convidados evitou falar com os jornalistas. O presidente Lula participou apenas da cerimônia religiosa e não fez nenhuma aparição para o público, frustrando as expectativas de um pequeno grupo que acompanhava a chegada das autoridades na calçada em frente à Igreja. Política, eleições presidenciais e as ações do governo não foram os assuntos preferidos dos convidados, mas a ênfase na defesa da ministra Dilma Rousseff foi maior entre suas colegas. "Se a oposição ataca e coloca Dilma em evidência, nós, os amigos, estamos aqui para participar de um momento especial de sua família e vamos defendê-la", disse a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC). Para a governadora do Pará, Ana Júlia (PT), a ministra Dilma seria uma "boa candidata" às eleições presidenciais e neste momento precisaria de apoio. "Como mulher, sou solidária (à ministra Dilma) e contrária a todo o tipo de baixaria que ela tem sido vítima. Todas as mulheres precisam deste apoio", disse a governadora. Seja por amizade, reconhecimento ou apoio, o casamento mobilizou seis ministros de Estado, incluindo Guido Mantega (Fazenda) e Celso Amorim (Relações Exteriores), e sete governadores, entre os quais Yeda Crusius (PSDB-RS), além de vários parlamentares. O que teria sido projetado para ser uma cerimônia discreta transformou-se em um evento com 600 convidados e um aparato de segurança que envolveu 300 policiais, viaturas do corpo de bombeiros e ambulâncias, transtornando o já complicado trânsito do centro da cidade.

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