Casal morto no Pará tinha denunciado madeireiros

Vinte dias antes de ser morto a tiros, o casal de líderes extrativistas José Cláudio Ribeiro da Silva e Maria do Espírito Santo enviou um documento ao Ministério Público Federal de Marabá denunciando o envolvimento de três madeireiras da região de Nova Ipixuna, no Pará, em crimes ambientais. O denúncia, a que o jornal O Estado de S. Paulo teve acesso, mostra que a reserva de mata densa já foi quase toda destruída para retirada de madeira.

AE, Agência Estado

27 de maio de 2011 | 11h59

No mesmo dia em que a denúncia foi protocolada no Ministério Público, 4 de maio, o procurador Tiago Modesto Rabelo pediu informações ao Instituto Brasileiro do meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) sobre os danos provocados por estas madeireiras na área de preservação do assentamento Agroextrativista Praia Alta Piranheira, onde os líderes atuavam. Além do casal, nove assentados assinaram o documento.

Uma das denúncias é a produção de carvão na região usada para abastecer empresas do polo siderúrgico de Marabá. De acordo com os assentados, na área existem 500 fornos de carvão construídos nos lotes das famílias. Para derrubar a floresta, as empresas pagam R$ 30 pelo metro cúbico de madeira cujo valor no mercado internacional atinge R$ 1,2 mil. "Os assentados mais frágeis e entusiasmados com a possibilidade de ganhar dinheiro se submetem a essa exploração", diz o documento.

Ontem pela manhã, cerca de 2 mil pessoas acompanharam o enterro do casal, em Marabá. Além de familiares e amigos, o sepultamento foi acompanhado por líderes sindicais e militantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e da Federação dos Trabalhadores na Agricultura. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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