Casal gay criticado por "planejar" bebê surdo

Um casal de lésbicas americanas está atraindo críticas ferozes por deliberadamente optar por ter um bebê surdo. O casal, formado por duas mulheres surdas, disse que queria uma criança que fosse como elas.O bebê, um menino de quatro meses, é profundamente surdo do ouvido esquerdo e tem audição residual no ouvido direito. Sharon Duchesneau e Candy McCullough, ambas na casa dos 30 anos, recorreram a um amigo que tem cinco gerações de casos de surdez na família, após terem sido recusadas por um banco de esperma que lhes disse não aceitar doadores com deficiências físicas.O homem já havia gerado uma menina para o casal, que mora em Bethesda, Maryland. A menina tem agora cinco anos e também é surda. Porém, a determinação delas de ter filhos com deficiência auditiva só veio à tona com o nascimento do filho delas, Gauvin.O casal de lésbicas, ambas especialistas em saúde mental e terapia auditiva, está junto há quase dez anos. Em uma entrevista ao Washington Post, as mulheres alegaram que seriam melhores mães de uma criança surda. Elas acreditam que são capazes de entender mais completamente o desenvolvimento da criança e oferecer melhor orientação, e disseram que a escolha não foi diferente de optar por um determinado sexo.Disseram, também, fazer parte de uma geração que enxerga a surdez não como uma deficiência, mas como uma identidade cultural. ?Algumas pessoas encaram isso como, ?Oh, meu Deus, vocês não deviam ter uma criança com uma limitação física??, disse McCullough, a mãe adotiva do garoto. ?Mas, você sabe, as pessoas negras têm uma vida mais dura. Por que não poderiam os futuros pais escolher um doador negro se é isso que querem? Eles deviam ter essa opção.?Quando estava com sete meses de gravidez, a mãe biológica do menino, Sharon Duchesneau, comentou: ?Seria bom ter uma criança surda como nós. Creio que será uma experiência maravilhosa. Se podemos ter essa oportunidade, por que não aproveitar? Um bebê que ouça será uma benção. Um bebê surdo será uma bênção especial?.Mas a decisão tem sido condenada em várias esferas da sociedade. ?Creio que todos nós reconhecemos que crianças surdas podem ter uma vida perfeitamente maravilhosa?, dise Alta Charo, professora de direito e bioética da Universidade de Winsconsin. ?A questão é saber se os país violaram o dever sagrado da paternidade, que é maximizar a um grau razoável os benefícios disponíveis para seus filhos. Odeio dizer isso, mas acho que é uma ignomínia impor limites ao potencial de uma criança?.

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