Casal Garotinho vira estátua em cidade no Rio

A menos de um mês de deixar o Palácio Laranjeiras, residência oficial do governo fluminense, a governadora Rosinha Garotinho e seu marido, o governador Anthony Garotinho, ambos do PMDB, foram eternizados na Praça Guilherme Tito de Azevedo, no centro de São Fidélis, pequena cidade do norte fluminense. Estátuas em tamanho natural dos dois políticos, ambos com expressão alegre - o ex-governador está nitidamente mais magro na homenagem que na realidade -, e sentados em um banco, foram inauguradas no local na noite do último domingo. A iniciativa foi do prefeito David Loureiro (PMDB), que a teria custeado com dinheiro de associações de moradores, segundo informou à imprensa local. A região é o berço político do casal Garotinho.O local foi escolhido porque, segundo o folclore da região, na praça, ponto de namoro da cidade, nos anos 70, o casal de namorados brigou e se reconciliou. A reconciliação teria tido lances de comédia: Garotinho, para tentar reconquistar a namorada que chorava, teria se aproximado triunfalmente montado num cavalo, mas, de forma estabanada, acabou caindo e se machucando levemente. Com isso, encerraram a rusga naquele momento.Tempos depois, se casaram - o casamento está a menos de uma semana de completar 25 anos. Entre naturais e adotados, são nove os filhos do casal. Os dois também acabaram juntos na religião (ambos se converteram ao pentecostalismo) e na política (Rosinha sucedeu Garotinho no comando do Estado).HomenagensA homenagem a Garotinho e Rosinha é mais uma iniciativa que marca a saída do casal do comando político do Estado, que detém desde 1999, quando o marido, então no PDT, assumiu o governo. No último fim de semana, circulou a revista "Nós governamos para os cidadãos", publicada pelo diretório regional do PMDB, com 190 páginas coloridas de elogios aos dois e a seus governos. No texto de abertura, "O momento de agradecer" , assinado pelo casal, há críticas duras ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a epígrafe do filósofo dinamarquês Kierkegaard ("A fé é a mais elevada paixão de todos os homens")."Foi um verdadeiro cerco", afirmam ambos, num trecho. "Se o direito à metáfora nos permitisse fazer analogia bélica e histórica, foi como governar Stalingrado em pleno sítio nazista durante a Segunda Guerra. Mas os russos venceram, assim como o povo fluminense, que por duas vezes nos premiou com expressivas votações, superou, impávido, o preconceito que nos afligiu."

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