Felipe Milanez/Divulgação
Felipe Milanez/Divulgação

Casal extrativista assassinado é homenageado pela ONU em Nova York

Irmã de Maria do Espírito Santo, que foi executada com o marido, José Cláudio Ribeiro da Silva, em emboscada no ano passado, recebeu prêmio 'Heróis da Floresta' em nome do casal

Daniel Bramatti, de O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2012 | 19h38

Com um discurso emocionado e marcado por cobranças à presidente Dilma Rousseff, a professora Laísa Santos Sampaio, moradora de Nova Ipixuna (PA), recebeu da Organização das Nações Unidas o prêmio "Heróis da Floresta", em nome de sua irmã, Maria do Espírito Santo, e do cunhado, José Cláudio Ribeiro da Silva, assassinados em uma emboscada, no ano passado, no sudeste do Pará.

 

O brasileiro Paulo Adário, um dos diretores do Greenpeace, também foi premiado, juntamente com outros quatro militantes pela preservação das florestas em áreas de elevado desmatamento.

 

"Meu cunhado e minha irmã foram assassinados porque defendiam a vida na floresta", disse Laísa, na sede da ONU, em Nova York. A professora, que também foi alvo de ameaças após o assassinato, descreveu a uma plateia internacional um cenário de violência e impunidade na Amazônia - região que, segundo ela, está "manchada de sangue". Ela criticou a versão do Código Florestal aprovada pela Câmara dos Deputados e pelo Senado e pediu seu veto. "A presidente Dilma não deve aprovar essa lei", afirmou.

 

O casal de extrativistas foi homenageado graças ao documentário "Toxic: Amazônia", do jornalista Felipe Milanez, que registrou em vídeo depoimentos de José Cláudio e Maria meses antes de sua morte. Milanez, especialista na cobertura das transformações pelas quais a região amazônica vem passando, era, ele próprio, um dos finalistas do prêmio "Heróis da Floresta", o que fez com que os jurados assistissem ao filme. A obra pode ser assistida na íntegra pela internet, no endereço http://www.vice.com/pt_br/toxic/toxic-amazon-full-length.

 

Moradores de um assentamento extrativista em Nova Ipixuna, José Cláudio e Maria mobilizavam a comunidade contra a extração ilegal de madeira que ameaçava devastar o local. Eles foram mortos por pistoleiros em uma estrada de terra, em maio de 2011. Três acusados pelo crime foram presos quatro meses depois.

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