PEDRO FRANCA/AGÊNCIA SENADO
PEDRO FRANCA/AGÊNCIA SENADO

Casa Civil faz lista de 23 acusações ao governo que podem surgir na CPI da Covid

Ex-titular da Secom deu entrevista na qual responsabilizou ministério por atrasos na vacinação contra covid

Camila Turtelli, O Estado de S.Paulo

26 de abril de 2021 | 05h00

BRASÍLIA - A Casa Civil, pasta comandada pelo ministro Luiz Eduardo Ramos, enviou um e-mail para as secretarias executivas de 13 ministérios com uma lista com 23 acusações e críticas ao desempenho do governo federal no combate à pandemia e que podem ser usadas como objeto na CPI da Covid.

“Será entregue em meio físico na Secretaria Executiva dos Ministérios envolvidos o documento com temas selecionados no intuito de que respondam, desde já, com as ações realizadas. As respostas dos ministérios devem ser entregues em meio físico na SAM/CCPR até o dia 23/04 (sexta-feira às 18h)”, diz o e-mail encaminhado às 13 secretarias executivas das pastas.

Negligência do governo na compra de vacinas, promoção de tratamento precoce contra a covid sem comprovação científica, militarização do Ministério da Saúde, minimização da gravidade da pandemia e ausência de incentivo à adoção de medidas restritivas para reduzir o contágio pela doença são alguns dos pontos.

A lista à qual o Broadcast/Estadão teve acesso foi revelada neste domingo (25) pelo portal UOL e confirmada pela Casa Civil em resposta ao questionamento. “A coordenação de ações interministeriais é função primordial da Casa Civil, e não seria diferente em relação às inúmeras iniciativas tomadas pelo Governo Federal para defender a vida e preservar empregos, desde o início da pandemia”, diz nota enviada pela Casa Civil. 

“O documento citado pela matéria do UOL, portanto, mostra apenas o óbvio, que a Casa Civil está fazendo seu trabalho de coordenação de forma antecipada, integrada e consistente.”

A CPI deve ser instalada nesta terça-feira, dia 27, para investigar a conduta do governo federal na pandemia. Numa espécie de defesa antecipada, Bolsonaro tem dito que “acertou todas” na pandemia, apesar de declarações minimizando a doença e previsões de que a crise iria acabar logo, o que não ocorreu. “Não errei nenhuma desde março do ano passado”, disse o presidente a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada.

Uma versão preliminar do plano de trabalho da CPI prevê investigar questões como o atraso na compra de imunizantes pelo País, a omissão do Ministério da Saúde no colapso na rede de saúde de Manaus no início do ano e a insistência de Bolsonaro em recomendar o chamado tratamento precoce – que, além de não ter eficácia comprovada para a covid-19, ainda pode levar pacientes à fila dos transplantes.

A lista de Ramos traz também a acusação sobre o governo ter recusado 70 milhões de doses da vacina da Pfizer. Sobre essa questão, a CPI deve ouvir o ex-secretário de Comunicação de Bolsonaro, Fábio Wajngarten. Ele declarou, em entrevista à revista Veja no dia 22, que essa negociação não avançou por “incompetência” e “ineficiência” do Ministério da Saúde. Ele afirma na publicação que, ao saber da proposta, articulou reuniões com diretores da farmacêutica, mas que “as coisas travavam no Ministério da Saúde”.

Acareação

Em razão disso, o Senado pode ser palco de um embate entre o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o ex-secretário Wajngarten. O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defende uma acareação entre eles na CPI. Cotado para ser vice-presidente da CPI, Randolfe quer uma confrontação pública para esclarecer as declarações de Wajngarten. “Acho que vai ser inevitável isso”, disse o senador ao Estadão.

Randolfe também vai apresentar um requerimento para convocar Wajngarten para ser ouvido no colegiado. Nele, o parlamentar diz que a presença de Wajngarten será de “suma importância” para a investigação.

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