Carvalho diz que índios serão ouvidos sobre obras

O ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou nesta terça-feira a representantes indígenas que o governo vai consultá-los sobre empreendimentos futuros que venham a ser feitos no País, porque é isso que determina a Organização Internacional do Trabalho (OIT). "Mas vocês não vão ter direito a veto", disse o ministro. "Não posso mentir. Não vou dizer que vamos parar a usina (hidrelétrica) de Belo Monte. Nem tem como parar. O Brasil precisa daquela energia e já foram gastos bilhões. Só queremos corrigir o que tiver de errado nela", afirmou Carvalho, durante a audiência no Palácio do Planalto.

TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

04 Junho 2013 | 19h49

Nos últimos dias, indígenas acamparam no canteiro de obras da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, num protesto pela suspensão dos estudos e obras nos Rios Xingu, Tapajós e Teles Pires, exigindo a realização de consulta prévia em relação ao projeto, conforme prevê a convenção 169 da OIT.

No caso de Tapajós, o ministro disse os povos indígenas serão consultados, mas não prometeu nada. "O governo quer mostrar que é possível conviver com hidrelétrica e manter vida na floresta."

Durante o encontro, Gilberto Carvalho lamentou ainda a morte do índio terena, ocorrida na semana passada, em Mato Grosso do Sul. Ele disse que o ocorrido foi um "erro". "Quando um juiz de primeira instância mandou a reintegração de posse, a presidente (Dilma Rousseff) falou para o ministro aqui que não devia ter obedecido, porque para fazer uma operação como aquela lá fatalmente poderia dar em uma morte", afirmou o ministro. Segundo ele, o governo está fazendo investigação sobre o ocorrido. "Queremos ir até o fim com esta investigação."

O índio terena Oziel Gabriel, de 35 anos, foi morto durante a reintegração de posse de uma fazenda em Sidrolândia (MS), determinada pela Justiça Federal.

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