Carvalho diz que governo quer novas regras em 2014

Um dos auxiliares mais próximos da presidente Dilma Rousseff, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse nesta quarta-feira que o objetivo do governo é que o plebiscito da reforma política faça com que as novas regras sejam aplicadas já nas eleições de 2014. O ministro acredita que o governo poderá convencer os parlamentares do PMDB a apoiar a proposta do plebiscito.

RAFAEL MORAES MOURA E TÂNIA MONTEIRO, Agência Estado

03 de julho de 2013 | 19h38

"Essa é a nossa proposta (de valer já para 2014). Entendemos que o plebiscito, ao contrário do que se tentou dizer, que é uma manobra diversionista, não é nada disso. É a forma mais adequada de massificar um processo de participação em que a sociedade seja chamada a não só opinar, mas tomar decisões. Que o Brasil passe a usar esse sistema de maneira contínua para estabelecer esse tipo de consulta, dar ao povo o direito de tomar decisões", disse o ministro, que concedeu entrevista a jornalistas.

Questionado se seria uma decepção caso as novas regras não valham em 2014, Carvalho respondeu: "Mais do que uma decepção, é uma necessidade do País. A reforma política se impõe a nosso juízo como a forma essencial de responder àquilo que o povo clamou e clama nas ruas, pelo fim da corrupção. Nós sabemos que o atual sistema eleitoral é um sistema que induz, de alguma forma, a uma dependência econômica e a um tipo de corrupção".

Para o ministro, "se é verdade que queremos acabar com a corrupção, é importante que nós façamos uma reforma estrutural na política, na forma de funcionamento da política, que trabalhe primeiro o financiamento público de campanha, sem a proibição da contribuição individual da pessoa física e acabar com o financiamento da pessoa jurídica e que também trabalhe novas formas de participação da sociedade na política".

"Se é verdade que a gente quer responder às ruas, a gente tem de propor caminhos e nós entendemos que esse é um caminho adequado para ajudar no combate à corrupção", disse.

Sobre as divergências com o PMDB - cuja bancada se posicionou a favor de uma consulta popular, mas apenas em 2014 - Carvalho disse que o partido é o "principal parceiro" do governo.

"Confiamos no prosseguimento do debate e da nossa capacidade de convencer o conjunto dos parlamentares da conveniência do plebiscito. Sobre outras opiniões do partido, é natural. O PT também tem divergências, o PSB, o PDT, isso faz parte. Quando se faz uma aliança política, você faz uma aliança entre diferentes, e não entre iguais. Bem-vinda a divergência, a diferença, o importante é convergir para os pontos centrais."

Ministérios

Indagado se a presidente Dilma pretende diminuir o número de ministérios, conforme propôs o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), Carvalho respondeu: "A presidenta tem se mostrado muito aberta a sugestões, tem dialogado muito. É ela quem vai tomar a decisão. Não sei, não conversei com a presidenta hoje, não posso dizer que ela está avaliando ou não (redução de ministérios). Eu digo que é uma sugestão que foi endereçada à presidenta e cabe a ela dar a resposta."

Na avaliação do ministro, a reunião ministerial, que ocorreu na segunda-feira, 1º, na Granja do Torto, foi muito "positiva". "(A reunião) Permitiu a gente somar as energias, a gente trocar opiniões. Sempre é importante, em um momento como esse, em que ninguém tem certeza de nada, a gente ouvir os companheiros e companheiras, formar posição conjunta. A reunião teve o grande mérito de dar uma maior coesão para a equipe de governo para enfrentarmos esse momento que, a meu juízo, é um momento interessantíssimo que estamos passando, um desafio do qual tenho certeza o Brasil vai sair ganhando e acho que o governo vai contribuir muito para esse ganho do País."

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