Carvalho diz esperar que Supremo mude algumas sentenças do mensalão

Na avaliação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, é 'importante' que os embargos infringentes sejam analisados

Rafael Moraes Moura - O Estado de S. Paulo,

14 de agosto de 2013 | 18h49

BRASÍLIA - Ex-chefe de gabinete pessoal e amigo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República Gilberto Carvalho afirmou há pouco que espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) reverta algumas das sentenças no julgamento do mensalão, ao analisar os recursos dos 25 condenados. Carvalho destacou a importância de serem analisados os embargos infringentes, pelos quais cabe um novo julgamento quando a condenação for definida numa votação apertada — há 11 casos assim no mensalão.

"Espero que o julgamento seja o mais equânime possível e que, de fato, agora nos recursos se possa fazer, a meu juízo, uma justiça que não se fez no primeiro julgamento", afirmou Carvalho a jornalistas, no Palácio do Planalto. "Que pelo menos esse novo julgamento dê essa segunda possibilidade dos ministros ouvirem os novos argumentos e, esperamos, poderem alterar algumas das sentenças que eles deram."

Na avaliação de Carvalho, é "importante" que os embargos infringentes sejam analisados, porque "todo réu tem, em qualquer situação, direito a duas instâncias".

"Os resultados temos de respeitar, mas não entendemos que esse julgamento, seja qual for o resultado, deve abater ou atingir aquilo que é o núcleo do nosso projeto e aquilo que é a nossa missão no País", comentou o ministro.

"O PT continua sendo o partido que tem o maior apoio entre a população, isso não é fruto de milagre ou de alguma mágica. É fruto de muito trabalho. É esse muito trabalho que nós seguiremos, continuando de cabeça erguida, com a consciência de que somos servidores do povo e vamos até o fim nessa perspectiva."

Carvalho se encontrou com Lula ontem, em Brasília, mas não quis dar mais detalhes dos assuntos discutidos. "Tive uma conversa reservada com o presidente, ele só mandou eu trabalhar bastante", desconversou.

Siemens. Ao comentar a formação de cartel de empresas fornecedoras de trens do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), Carvalho disse que essa denúncia não vai "anular os esforços, os méritos que esse partido tem", sem fazer menção direta ao PSDB.

"Nós temos de ter clareza, serenidade, eu já disse, não quero fazer com os outros o que fizeram conosco, ou seja, prejulgar e considerar esse ou aquele erro o maior da história, como o único na história", afirmou o ministro.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, anunciou ontem que vai processar a multinacional alemã Siemens por formação de cartel. Os contratos em vigor da empresa com o governo paulista, no entanto, serão mantidos.

"A atitude nossa tem de ser uma atitude de serenidade, deixar que a Justiça avance nas investigações e nem por isso vamos ficar prejulgando ou condenando uma sigla ou um projeto por erro de algum de seus membros. Não tem isso", disse Carvalho.

Para Carvalho, a oposição tentou transformar o julgamento do mensalão como um julgamento da proposta de governo do PT. "Só que essa proposta, para a infelicidade daqueles que tentaram fazer isso, se revela de tal capacidade de transformação do País e da vida das pessoas, que essa tentativa não encontrou respaldo popular. Tanto que o PT continua sendo o partido que tem o maior apoio entre a população, isso não é fruto de milagre ou de alguma mágica. É fruto de muito trabalho", comentou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.