Cartilha ajuda crianças a se protegerem de abuso sexual

A Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (Abrapia) lançou hoje a cartilha Abuso Sexual Contra Crianças e Adolescentes - Mitos e Realidades. O documento - terceira cartilha publicada pela associação - trata pela primeira vez de temas atuais, como pedofilia, pornografia na Internet, e o abuso sexual por pessoas conhecidas da criança - apontado como o principal tipo de violência cometida contra meninos e meninas, segundo o secretário-executivo da Abrapia, o pediatra Lauro Monteiro Filho."Temos muito mais denúncias sobre a exploração sexual comercial, mas o abuso por parentes ou pessoas amigas é o principal tipo de violência cometida contra crianças", afirmou Monteiro Filho. O lançamento da cartilha é parte das atividades do Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, comemorado hoje.O livreto traz as definições de conceitos ligados ao abuso sexual contra crianças. Ele difere pedofilia de pornografia infantil, abuso sexual de exploração sexual comercial, estupro de atentado violento ao pudor. "Nem sempre quem divulga imagens de crianças na Internet é pedófilo. Pode ser alguém com interesses financeiros. A exploração sexual tem interesse comercial, o abuso, não. Um menino não pode ser estuprado. O estupro é cometido com penetração vaginal. No caso de meninos, o crime é atentado violento ao pudor", explica o médico.Um dos capítulos da cartilha tem um guia para ensinar as crianças a se protegerem do abuso sexual. De acordo com Monteiro, a partir dos 2 anos de idade das crianças, os pais devem começar a falar com os filhos sobre as partes do corpo - cabeça, pés, mãos, e órgãos sexuais. Aos 3 anos, elas devem começar a aprender que algumas partes do corpo ficam protegidas por roupas de banho, na praia. "São partes intocáveis", diz.A partir dos 5 anos, Monteiro ensina que as crianças devem saber que correm alguns "riscos", como o de seqüestro, atropelamento e podem sofrer violência física ou sexual. Depois dos 7 ou 8 anos, quando as crianças começam a perguntar sobre sexualidade, o pediatra defende a "conversa aberta"."As crianças não vão ficar paranóicas. Ficarão alertas. Essas são normas básicas de segurança e no Brasil não se dá a menor importância para a segurança infantil", defende o médico.A nova cartilha tem 60 páginas - 25 a mais do que as duas últimas edições -, ilustradas com fotografias. A Embaixada Britânica patrocinou sete mil exemplares, que serão distribuidos gratuitamente para pediatras, professores e nas palestras da Abrapia. Uma nova tiragem será publicada pela Editora Autores e Agentes Associados e vendida em livrarias.

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