Cartaxo: tucano teve dados acessados fora de Brasília

O secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, informou aos integrantes da Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) que houve "em torno de cinco ou seis acessos" fora de Brasília aos dados fiscais do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge. As informações foram utilizadas num suposto dossiê contra o candidato tucano à Presidência da República, José Serra, e teria sido feito por assessores da campanha da candidata do PT, Dilma Rousseff.

ROSA COSTA, Agência Estado

14 Julho 2010 | 12h57

Segundo o secretário, é de 120 dias a duração da sindicância aberta para investigar esse caso e o do empresário Guilherme Leal, vice da candidata do PV à Presidência, Marina Silva. No caso de Leal, Cartaxo afirmou que a sindicância começou no dia 2 de junho. A de Eduardo Jorge teve início no dia 21 de junho. Ele não soube dizer se as investigações poderão ser concluídas antes.

O secretário explicou que não houve quebra do sigilo de dados do empresário, mas sim o acesso a um auto de infração de que é alvo a empresa Natura, pertencente a Leal. Ao responder ao senador Geraldo Mesquita (PMDB-AC) se os acessos foram feitos "em Brasília ou em São Paulo", ele se limitou a excluir a possibilidade de Brasília, deixando em suspense a indagação sobre São Paulo.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) perguntou a Cartaxo se seria possível encaminhar à CCJ o resultado das sindicâncias que estão em curso no órgão para investigar quem acessou os dados de Eduardo Jorge e da empresa Natura. Suplicy disse que a medida "agradaria ao presidente Lula, à ministra Dilma, ao Serra e a Marina"''. O secretário desconversou.

Francenildo

Já o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) disse que a Receita também quebrou seu sigilo em 2007 para saber se era ele quem repassava para a conta do caseiro Francenildo dos Santos Costa o dinheiro que ele recebia de seu pai biológico. O caseiro foi autor das denúncias que comprometiam o então ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Como somos os dois do Piauí acharam que o dinheiro era meu", contou.

O parlamentar do DEM afirmou que na época ficou sabendo que o dono da senha que invadiu seus dados era da direção da Receita, mas que o caso então parou sem identificar o responsável. Depois da audiência, Cartaxo deixou a CCJ sem falar com a imprensa.

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