Carta de Sarkozy selou decisão de Lula sobre caças

No documento, governo francês também se compromete com a oferta de um "preço competitivo e razoável"

AE, Agência Estado

10 de setembro de 2009 | 10h33

Uma carta sigilosa do presidente da França, Nicolas Sarkozy, que fala em "transferência irrestrita" de tecnologia dos caças Rafale para o Brasil, garantiu a decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de assinar, na segunda-feira, um comunicado conjunto anunciando o início das negociações com a empresa Dassault para a aquisição de 36 desses aviões de combate. Essa expressão na carta funcionou como uma chancela presidencial francesa para a proposta da empresa privada Dassault, que já havia prometido transferência "ilimitada" de tecnologia na proposta entregue à Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (Copac), que coordena o projeto do FX-2 de reequipamento da Força Aérea Brasileira (FAB).    

 

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Na carta, o governo francês também se compromete com a oferta de um "preço competitivo e razoável", bem abaixo do que foi apresentado na proposta inicial ao Comando da Aeronáutica e que terá como "teto" o valor pago hoje pela Força Aérea francesa. O documento de Sarkozy assegura ainda, com o consentimento da Dassault, que as vendas do Rafale para outros países latino-americanos serão "mercado exclusivo" do Brasil - quando a Embraer, em associação com a Dassault, produzir ou montar o caça.

A carta sigilosa foi uma reação à queixa de Lula a Sarkozy, no jantar do Palácio da Alvorada, na noite de domingo, de que "as coisas não estavam caminhando para uma solução" em relação ao Rafale por causa do "preço absurdo" apresentado na proposta feita pela Dassault. O presidente francês revelou impaciência diante da informação e da frustração da expectativa de voltar a Paris com a certeza de que a indústria francesa reequiparia a FAB.

Sarkozy prometeu a Lula que se entenderia com a Dassault e a garantia dos compromissos acertados ficaria registrada em uma carta pessoal e sigilosa a entregar ao presidente brasileiro. Apresentou ainda, como reforço, o compromisso de comprar dez aviões de transporte militar KC-390, um projeto em desenvolvimento pela Embraer. Dessa forma, com as vendas garantidas do Rafale e do KC-390 seriam viabilizados economicamente os dois projetos, já que o primeiro nunca foi vendido para fora do País, e o segundo, ainda está na prancheta.

Diante da disposição de Sarkozy, Lula convocou o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito - que não estavam no jantar do Alvorada. Eles dois e mais o embaixador do Brasil na França, José Maurício Bustani, e o assessor de assuntos internacionais do Planalto, Marco Aurélio Garcia, foram se reunir em uma suíte do hotel Royal Tulip, com o chefe do Estado-Maior francês e o embaixador da França no Brasil. As duas horas da madrugada do dia 7, o grupo planejou a redação da carta de Sarkozy que levou Lula a fazer o que fez ao fim do desfile da Independência: anunciar a abertura da negociação com a Dassault para a compra de 36 caças Rafale. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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