ROMILDO DE JESUS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS
ROMILDO DE JESUS/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS

PT aprova texto que ameniza críticas ao ajuste fiscal

Teses da ala majoritária vão nortear debate no congresso da sigla, mas grupos insatisfeitos com a política econômica irão apresentar emendas

Vera Rosa, Ana Fernandes e Ricardo Galhardo, enviados especiais, O Estado de S. Paulo

11 de junho de 2015 | 18h53

Atualizado às 21h52

Salvador - O PT aprovou nesta quinta-feira, 11,  a Carta de Salvador, documento que suaviza críticas à política econômica, a pedido do Palácio do Planalto e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e defende uma nova política de alianças para as eleições de 2018, ancorada por uma frente de partidos e movimentos sociais. O texto-base vai nortear os rumos do 5.º Congresso do partido, mas será submetido a emendas e pode ganhar um contorno mais ácido até amanhã, quando termina o evento na capital baiana.

Apesar do tom ameno do documento assinado pelo grupo majoritário, reuniões a portas fechadas na abertura do encontro petista, nesta tarde, escancararam as divergências com o governo Dilma Rousseff. Agora, até mesmo o grupo do presidente do PT, Rui Falcão, critica a política econômica e age para marcar posição no encontro.

Integrada por Falcão, a corrente Novo Rumo vai insistir na proposta de auditoria da dívida pública e de uma reforma tributária progressiva, que penalize os mais ricos. “É inconcebível uma política econômica que seja firme com os fracos e frouxa com os fortes”, disse Falcão ontem, na abertura do congresso. O presidente do partido afirmou considerar “vital” que o peso das contas públicas “recaia sobre quem mais tem condições de arcar com o custo do ajuste”.

Agenda própria. Para José Américo Dias, secretário de Comunicação do PT, o manifesto lançado pela Novo Rumo, lembrando que a aprovação do PT e do governo Dilma desabou, indica que o partido precisa criar uma agenda própria.

“Nós somos mais críticos em relação à política econômica e defendemos maior independência da bancada em relação ao governo.” O grupo de Falcão age para se descolar da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), integrada por Lula.

A insatisfação com os rumos do governo e os escândalos de corrupção que desgastam o PT provocam mais divisões na CNB. Segundo Falcão, alguns oradores citaram o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, como responsável por uma política econômica que contraria as bases do partido. Um grupo de sindicalistas liderado pelo presidente da CUT, Vagner Freitas, da CNB, apresentou documento com críticas ao ajuste.

“Todo mundo acha que é preciso fazer uma calibragem na política econômica, mas não haverá uma guerra por causa disso. O que vai polarizar esse encontro de Salvador é o futuro. Queremos mudar a direção do PT”, disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP). O ministro Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência) minimizou as divergências entre PT e Dilma. “Nós do PT somos 100% governo Dilma”, disse. 

Indagado sobre qual ajuda Dilma poderia dar ao PT neste momento, Falcão respondeu: “A presença dela já ajuda muito”. Segundo ele, “muita gente achava que o encontro deveria ser adiado, não deveria se realizar”. O esvaziamento do congresso de Salvador já era previsto e várias foram as tentativas do Planalto para adiar a reunião.

Dos 800 delegados, compareceram no primeiro dia 525. Conforme Falcão, o número de delegados deve aumentar nesta sexta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.