Carta da CNBB cobra revisão da dívida e venda da Vale

Rever a privatização da Vale do Rio Doce, fazer umaauditoria na dívida externa brasileira e incentivar acomunicação alternativa para "diminuir a influência negativa dosgrandes meios de comunicação social" são alguns dos principaispontos da carta de encerramento da 4.ª Semana Social Brasileira,organizada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)O encontro, encerrado neste domingo em Brasília, reuniurepresentantes de movimentos populares de várias áreas, ligadosà Igreja Católica. A auditoria da dívida chegou a ser debatida no sábadocom o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci. Oministro foi cobrado por uma das participantes, que garantiu quea auditoria faz parte do programa de governo de Luiz Inácio Lulada Silva para o primeiro mandato. Dulci negou. "Eu lembro quefez parte das discussões prévias, mas acredito que tenha ficadofora na versão final", explicou. O não pagamento da dívida ou a "auditoria" é umaexigência recorrente de alguns movimentos sociais. Dulci afirmouque o "momento político" não era propício no momento em que Lulaassumiu, e resumiu a discussão dizendo que não valia a pena nãopagar a dívida, mencionando o caso da Argentina, que até hojenão se recuperou totalmente do calote de 2002. Revisão do leilão da Vale do Rio Doce A revisão do leilão da Vale também chegou a ser citadapor Lula na campanha de 2002 e, em 2006, o presidente chegou adizer, mais uma vez, que não concordava com a venda, masdesconversou quando perguntado porque então não fazia a revisão.A carta dos movimentos sociais, no entanto, segue a linha dopróprio governo quando fala da "democratização dos meios decomunicação". O próprio programa de governo de Lula chegou a conter umcapítulo sobre a necessidade de financiar meios de comunicaçãoalternativos em contraponto à imprensa tradicional. O capítulofoi retirado, mas a idéia foi repetida algumas vezes porministros do governo Lula. A principal proposta da Semana Social foi a criação deum "Mutirão por um Novo Brasil", formado pelos movimentossociais, para pressionar o governo, e divulgar as causaspreferenciais. Entre elas, além da revisão da dívida e daprivatização da Vale, aparecem a reforma agrária, a campanhapara redução das tarifas de energia elétrica, contra a reduçãoda maioridade penal e pela valorização do salário mínimo. Mudanças no sistema político, entre as reivindicações Os participantes da semana reivindicam também mudançasno sistema político para que "se exerça a democracia direta",com o recurso a referendos, plebiscitos, orçamento participativoe iniciativas populares. A idéia tem a simpatia de pelo menos ummembro do governo: o ministro de Relações Institucionais, TarsoGenro, que já defendeu a mesma idéia em uma entrevista a O Estadode S. Paulo. Os representantes dos movimentos sociais pretendemtransformar o mutirão para que possam ser mais ouvidos. No diaanterior, a discussão sobre a relação dos movimentos sociais como governo já havia surgido no debate de que participou LuizDulci. Apesar de reconhecerem que conseguem mais acesso ao atualgoverno, os representantes dos movimentos sociais reclamam dosresultados das conversas. O líder do Movimento dos Sem-Terra (MST) João PedroStédile, um dos participantes do encontro, afirmou que o MST e aVia Campesina haviam participado de vários conselhos deinterlocução com a sociedade no governo Lula, mas tinham saídode quase todos porque "não prestam para absolutamente nada".Agora, afirmou o líder do MST, os movimentos sociais queremparticipar do Conselho de Política Monetária (Copom) do BancoCentral (que define os juros básicos do País), do ConselhoMonetário Nacional (CMN) e do que "decide sobre rádio e tevê, nolugar do Sarney" (senador José Sarney,PMDB-AP), hoje um dosmaiores aliados de Lula). Dulci não respondeu aos "pedidos", masdisse discordar das críticas. "Os conselhos têm muitosresultados", garantiu.

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