Carro de banqueiro foi seguido

Monitoramento ocorreu após três conversas captadas

Fausto Macedo e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

28 de março de 2009 | 00h00

Foi seguindo as supostas relações do doleiro Kurt Pickel que os federais monitoraram o banqueiro Lázaro Brandão. Três conversas entre Brandão e o doleiro foram gravadas pelos agentes, que seguiram o motorista do banqueiro.Segundo relatório da inteligência da Polícia Federal assinado pelos delegados Karina Souza e Otávio Russo, no dia 2 de junho de 2008 Pickel telefona para Brandão e confirma "algo que foi combinado". Dois dias depois, é Brandão quem faz contato. Pergunta se o doleiro ficará em casa e avisa que vai mandar "a encomenda à tarde". Pickel diz que ficará em casa o dia todo. "Então, aquele meu motorista, ele leva mais ou menos 15h30", diz Brandão. A entrega, segundo os delegados, de fato ocorreu às 15h30 e foi efetuada pelo motorista do banqueiro, "que se dirigiu à residência de Kurt num Honda Accord". Logo após a chegada do motorista, diz o relatório, Brandão faz novo contato. "Chegou às mãos?", pergunta. "Chegou, muito obrigado. Ia ligar para a agradecer", diz o doleiro. "Imagina, só cumpri com o prometido", afirma o banqueiro.Os federais espreitaram a entrega à distância. "Convém informar que o evento foi acompanhado por uma equipe deste setor, que observou a chegada do veículo ao local, onde permaneceu apenas poucos minutos", dizem os delegados. "É ignorado até o presente momento o objetivo das tratativas", concluem.Em 3 de julho, o encontro do banqueiro com o doleiro foi parar em decisão do juiz Fausto Martins De Sanctis. Ele relata os contatos entre Pickel e Brandão, que "teriam confirmado, em tese, alguma transação". O fato foi citado ainda em outros quatro relatórios da Castelo de Areia. Não há no inquérito informação posterior de contato entre o banqueiro e o doleiro ou sobre do que trataram em junho. Isso mesmo após a PF aumentar a vigilância sobre Pickel.A partir de julho, o doleiro foi seguido repetidas vezes, sendo flagrado entrando na sede da Camargo Corrêa em julho (dias 2 e 3) e setembro (dia 25). "Em nenhum momento o alvo se identificou na portaria, entrando direto no estacionamento", diz o relatório. Em 26 de novembro, os federais obtiveram autorização judicial para monitorar Pickel por meio de escuta ambiental. Mesmo assim, nada mais foi achado. O banqueiro foi apenas mais uma das pessoas que caíram na extensa rede de monitoramento da PF.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.