Paulo Vitor/AE 21.09.2010
Paulo Vitor/AE 21.09.2010

'Carreira política não é um trabalho de alpinista', diz Cesar Maia

Ex-prefeito e hoje candidato a vereador, Maia ironiza sua situação e se diz preparado para as eleições

Luciana Nunes Leal, de O Estado de S.Paulo

02 de fevereiro de 2012 | 14h48

RIO DE JANEIRO - Em um almoço de domingo, a família conversa sobre o parente que perdeu o emprego de gerente de uma empresa e recomeçou como chefe de departamento em outra firma, com salário menor e menos responsabilidades. Um deles comenta: "E o Cesar Maia, que foi deputado, prefeito e agora é candidato a vereador!" É o próprio Maia, entre risos, quem conta a história, ouvida de um correligionário, e comenta com bom humor o exercício "de humildade" de disputar, pelo DEM, um vaga na Câmara Municipal do Rio de Janeiro, cidade que governou três vezes, (de 1993 a 1996 e de 2001 a 2008), depois de dois mandatos de deputado federal (1987 a 1992).

"A carreira política não é um trabalho de alpinista, em que você ascende sempre até o cume do morro. É um trabalho que tem alternância", diz o ex-prefeito, de 66 anos. Ele fará campanha ao lado do filho, o deputado Rodrigo Maia (DEM), que disputará a prefeitura do Rio em oposição ao prefeito Eduardo Paes (PMDB), candidato à reeleição. Segundo Maia, está selada a aliança do DEM com o PR do ex-adversário Anthony Garotinho. A deputada estadual Clarissa Garotinho, filha do ex-governador, é cotada para vice de Rodrigo.

Nos últimos dias, Garotinho tentou emplacar a candidatura do próprio Cesar Maia à prefeitura, mas o ex-prefeito insistiu em Rodrigo, para “abrir espaço às novas gerações”. Está marcado para o dia 27 de fevereiro o lançamento da aliança na capital.

Maia está preparado para as críticas à coligação DEM-PR, depois dos embates entre as famílias Maia e Garotinho. "As razões políticas que nos levam a fazer oposição ao PMDB nos levam a estar juntos por razões táticas. Vão lembrar: 'Cesar Maia falou que Garotinho é beijo da morte'. Tudo bem. Eleição é partida de basquete, você ganha de 98 a 95. Leva cesta e faz cesta. Nós não temos conflito em nível municipal. E não se discute 2014", diz.

O ex-prefeito informa que, daqui a dois anos, estará "inteiramente entregue à direção do DEM", inclusive para disputar o governo do Estado, "para ganhar ou para perder", se for a estratégia do partido. Hoje, Maia considera "um erro" sua candidatura ao Senado em 2010, na chapa de Fernando Gabeira (PV) governador.  Os eleitos foram Marcelo Crivella (PRB) e Lindbergh Farias (PT).

“Se eu tivesse sido candidato a governador, teria tido 17%, 18%, 20% dos votos. O Cabral (governador Sérgio Cabral, do PMDB) teria sido reeleito, mas o DEM teria feito quatro deputados federais e três estaduais. Minha candidatura ao Senado foi um desperdício", diz Maia. O DEM do Rio elegeu apenas dois deputados federais - Rodrigo Maia e Arolde de Oliveira, que trocou o partido pelo PSD - e uma deputada estadual, Graça Pereira, que também foi para o PSD. Cesar Maia assumiu a presidência municipal do DEM e tentará, com sua votação, reforçar a bancada de quatro vereadores.

Em contraposição ao discurso de Paes e Cabral de parceria inédita entre município, Estado e União, Maia tem resposta para levar à campanha. "Aqui se inventou essa história que todo mundo tem que ser amiguinho. Quando eu era prefeito, o Rio teve com o governo Lula (ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva) um volume de benefícios muito maior do que eu tive com todos os outros governos. Eu fiz uma carta da agradecimento ao Lula, que ele sempre exibia. Depois da vaia no Pan, o Lula se tornou meu inimigo. Até então, tínhamos uma relação fraterna", diz Maia, em referência à hostilidade ao então presidente na abertura dos Jogos Pan-Americanos, no Maracanã, em 2007. Maia jura que não teve nada a ver com aquilo. "O Lula imaginou que eu montei aquela vaia. Um absurdo, uma psicose. Imagina se eu, objeto de vaia, vou montar vaia no Maracanã. Não faz sentido", diz o ex-prefeito.

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