Paulo Lopes/Pagos
Paulo Lopes/Pagos

Carreatas foram organizadas por grupos pró-Bolsonaro que convocaram atos do dia 15

Nas redes, empresários e políticos bolsonaristas ajudam a impulsionar movimento; post mais popular teve 14,6 mil compartilhamentos

Alessandra Monnerat e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

27 de março de 2020 | 17h40

As carreatas que pedem a reabertura do comércio em algumas capitais do País foram organizadas pela internet em grupos de whatsapp com apoio de grupos que estiveram por trás das manifestações de 15 de março, em defesa do governo de Jair Bolsonaro e contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF)

Comerciantes, empresários e outros aliados do presidente estão se mobilizando para realizar carreatas pelo Brasil contra o isolamento social decorrente da quarentena para deter o avanço do coronavírus. Nesta sexta-feira, 27, houve carreatas em Curitiba e São Paulo. Há movimentos sendo marcadas em outras cidades para o fim de semana. Nos chamamentos, os grupos pedem para que a carreata vá até a prefeitura local para pressionar os políticos. 

"A imprensa quer fechar o país inteiro", disse o coordenador do movimento República de Curitiba, um dos que está convocando as carreatas.  Segundo o ativista, o "apocalipse" que estavam esperando não se confirmou. "A recessão econômica vai causar mais prejuízo que o vírus, que veio para ficar. Precisamos conviver com ele. A imprensa e a esquerda usam o vírus politicamente."

O post de convocação mais popular no Facebook obteve 14,6 mil compartilhamentos em cerca de 22 horas, de acordo com levantamento na ferramenta CrowdTangle.

A publicação mais popular, da página “Lava Toga Urgente”, chamava para uma “mega carreata” em frente a palácios de governo e prefeituras de todo o país. Outras postagens populares no Facebook incluíram vídeos de carreatas em Maringá (PR) e Ipatinga (MG). É o caso de posts das páginas “República de Curitiba” (que obteve 4,1 mil compartilhamentos), “Direita Paraná” (3,8 mil) e “Coronel Sandro” (1,8 mil).

No Instagram, a movimentação foi semelhante: o post mais viral, de acordo com a ferramenta CrowdTangle, foi do empresário Luciano Hang, que divulgou um vídeo da carreata no Paraná e obteve 22,6 mil likes. Luiz Philippe de Orleans e Bragança também publicou uma filmagem da manifestação em Maringá e teve 7 mil likes.

No Twitter, a viralização também não foi alta. Às 15h, a rede social registrava 60,9 mil tweets com a palavra "carreata" e 25,9 mil com a hashtag #OBrasilNãoVaiParar. Os tuítes mais populares eram contrários à manifestação. 

A publicação mais popular encontrada em levantamento no Tweetdeck tinha 4 mil likes: um vídeo da carreata em Ipatinga publicado pelo perfil “Direita Minas”. O Brasil Sem Medo, site fundado pelo escritor Olavo de Carvalho, publicou uma convocação à carreata em São Paulo que pedia o impeachment do governador João Doria e obteve 3,6 mil curtidas.

No dia 15, a maioria dos grupos que convocaram os atos, como a República de Curitiba, desistiu de levar carro de som às ruas no último dia 15 de março, mas nas redes sociais eles têm atacado sistematicamente os governadores. Naquele dia, o próprio presidente foi à frente do Palácio do Planalto e cumprimentou centenas de manifestantes.

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