Carnaval Vermelho tem a 16ª invasão de terra no Pontal

Segundo lideranças, 58 famílias se alojaram na fazenda de gado; mais duas invasões devem ocorrer domingo

José Maria Tomazela, de O Estado de S. Paulo,

09 de fevereiro de 2008 | 12h49

Integrantes do Movimento dos Sem-Terra (MST) e do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) invadiram neste sábado, 9, a fazenda Santa Maria, em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema. Agora já são 16 as áreas invadidas na região no chamado Carnaval Vermelho, iniciado no domingo passado. Para o próximo domingo, 10, estão previstas mais duas invasões, desta vez com a participação também do movimento Unidos na Luta pela Terra (Uniterra).   De acordo com o dirigente do Mast, Lino de Macedo, 58 famílias se alojaram na fazenda de criação de gado e iniciaram a montagem dos barracos. Ele disse que estava sendo esperada a chegada de mais um grupo para reforçar a ocupação. A invasão foi "pacífica", segundo o líder. As ações do Carnaval Vermelho, coordenadas pelo líder dos sem-terra José Rainha Júnior, têm como um dos alvos o projeto do governo estadual de regularizar as terras do Pontal.   O projeto, que tramita na Assembléia Legislativa do Estado, prevê a regularização das áreas com mais de 500 hectares que o governo estadual considera devolutas e que são objeto de ações judiciais. Os proprietários contestam as ações na Justiça e já houve decisões favoráveis aos dois lados. Rainha considera "incoerência" regularizar terras que poderiam ser usadas para a reforma agrária. "Nos 300 mil hectares que o governo Serra quer privatizar, poderiam ser assentadas 15 mil famílias." Ele reclama também da lentidão do Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão da Secretaria de Justiça do Estado, em assentar famílias cadastradas em áreas já definidas pela justiça.   A região tem 3.774 famílias aptas a serem assentadas, segundo dados do Itesp. Rainha contestou a afirmação do secretário da Justiça, Luiz Antonio Marrey, de que a onda de invasões é resultado de uma disputa política interna entre dirigentes do MST. Em entrevista ao Estado esta semana, o secretário disse que o conjunto de invasões era um atentado à paz pública e não trazia nada de produtivo. "As ocupações não são feitas pela vontade das lideranças, mas pela necessidade de quem está há mais de três anos embaixo da lona", disse.   A liderança de Rainha não é mais reconhecida pelo MST, mas o grupo apoiado pela direção nacional participou do Carnaval Vermelho invadindo a fazenda São Luiz, em Presidente Bernardes. O movimento não aceita as ligações de Rainha com prefeitos e políticos da região. "A divergência faz parte da natureza dos movimentos", disse. Ele negou que a mobilização tenha a ver com o ano eleitoral, mas admitiu que seus liderados vão se envolver nas eleições municipais deste ano. "Vamos tentar eleger o máximo de prefeitos e vereadores de partidos que compõem a base aliada do presidente Lula."   A mulher de Rainha, Diolinda Alves de Souza, está cotada para concorrer à prefeitura de Teodoro Sampaio, principal base do MST na região, como candidata do PT. Na quarta-feira, lideranças do MST, Mast e sindicatos rurais ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) se reúnem com o bispo de Presidente Prudente, d. José Maria Saraccho, representante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) no Estado, para discutir o projeto de regularização do Pontal. Na sexta-feira, a reunião será na Assembléia Legislativa, com o líder da bancada do PT, deputado Simão Pedro.   Das 16 fazendas invadidas durante a semana, pelo menos duas - Iara, em Euclides da Cunha Paulista, e Cobra, em Dracena - foram desocupadas depois que a justiça concedeu liminar de reintegração de posse.

Tudo o que sabemos sobre:
Sem-Terrainvasão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.