Carnaval vermelho invade a 18ª fazenda no Pontal

Total ainda é inferior às ações do chamado inverno quente de 2007, quando grupos invadiram 22 fazendas

José Maria Tomazela , de O Estado de S.Paulo

11 de fevereiro de 2008 | 19h15

Cerca de 70 integrantes do Movimento dos Agricultores Sem-Terra (Mast) invadiram na madrugada desta segunda-feira, 11, a Fazenda Nova Lagoinha, em Presidente Epitácio, no Pontal do Paranapanema. Foi a 18ª invasão desde o domingo de carnaval, quando o líder dissidente do Movimento dos Sem-Terra (MST) José Rainha Júnior deflagrou a operação carnaval vermelho. O total ainda é inferior às ações do chamado inverno quente de 2007, quando os grupos ligados a José Rainha invadiram 22 fazendas no Pontal, entre o final de junho e o início de julho.  Os movimentos que atuam na região estão se revezando nas ações. Anteontem, integrantes do Unidos pela Terra e Fome Zero (Uniterra) já tinham ocupado a Fazenda Santo Antonio e, no sábado, outros militantes do Mast haviam invadido a Santa Maria, também em Presidente Epitácio. De acordo com a Polícia Militar, os sem-terra derrubaram a porteira para entrar na Nova Lagoinha, por volta de 1 hora da madrugada. A propriedade fica na vicinal Campinal-Caiuá e se dedica à criação de gado. Os invasores saíram do Acampamento Novo Mundo Rural localizado na região. De acordo com a coordenadora do Mast, Wilma Manete, os animais estão sendo criados em área de reserva da fazenda.   O responsável pela propriedade, Álvaro Francisco, não foi localizado. A área é considerada produtiva. Wilma contou que as famílias estão sob a lona há mais de três anos. A demora em assentar os sem-terra levou os movimentos a se juntarem ao grupo de Rainha para ganhar mais força na cobrança ao governo. "Nosso protesto é contra o imobilismo do Estado." Para o presidente do Mast, Lino de Macedo, o carnaval vermelho ainda não acabou. "Temos áreas para ocupar em Panorama e Dracena", disse, fazendo referência a municípios da região. Segundo ele, as lideranças devem se reunir hoje com José Rainha para definir novas ações. "Enquanto o governo não falar com a gente e se mexer, vamos continuar a mobilização." Macedo destacou o apoio dos sindicatos rurais aos sem-terra.  Enquanto o MST de Rainha é apoiado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Mast tem vínculo com a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). "Lutamos juntos e um apóia quando o outro precisa", definiu. Amanhã, as lideranças vão em busca de apoio do bispo de Presidente Prudente, d. José Maria Saraccho, contra o projeto do governador José Serra que pretende regularizar terras supostamente devolutas na região. Se aprovado na Assembléia Legislativa, o projeto permitirá legitimar fazendas com mais de 500 hectares cuja titularidade é discutida na justiça. A reportagem entrou em contato com o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp), órgão estadual que atua na reforma agrária no Pontal, mas não obteve retorno até o final da tarde.

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