Carlos Muniz sai da Secretaria de Telecomunicações

Ele foi exonerado por Heráclito Fortes após apresentar dossiê sobre as despesas dos senadores com telefonia

Eugênia Lopes e Ana Paula Scinocca, de O Estado de S. Paulo,

03 de abril de 2009 | 19h06

Exatos 30 dias depois da queda do diretor geral do Senado, Agaciel Maia, a crise institucional que atinge a Casa fez nesta sexta-feira, 3, nova vítima: Carlos Roberto Muniz, o Carlinhos, diretor da Secretaria de Telecomunicações. Ele foi exonerado pelo primeiro-secretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), depois de ter apresentado um dossiê sobre as despesas dos senadores com telefonia. O levantamento irritou Heráclito, segundo o Estado apurou. Na véspera, Carlinhos já havia sido comunicado da demissão do posto. Por ser funcionário de carreira, apenas perderá o cargo de diretor.

 

Nesta sexta-feira, 3, o diretor geral do Senado, Alexandre Gazineo, confirmou que a exoneração de Carlinhos seria publicada no Boletim Administrativo da Casa. "Não tem motivo oficial", disse Gazineo, desconversando à respeito do real motivo da exoneração de Carlinhos.

 

Nos bastidores do Senado, a exoneração é atribuída exclusivamente ao levantamento das contas telefônicas dos senadores. Por conter informações, inclusive sobre Heráclito, e dados incorretos, o primeiro-secretário teria decidido pela dispensa de Carlinhos da diretoria da Secretaria de Telecomunicações.

 

Carlos Roberto Muniz era homem de confiança de Agaciel. A Secretaria de Telecomunicações é vista como um dos pontos fortes do ex- diretor geral da Casa.

 

No mês passado, o senador Tião Viana (PT-AC) teve de dar explicações sobre o celular do Senado que emprestou à filha, em janeiro, durante uma viagem de férias ao México. Na ocasião, o petista atribuiu aos aliados do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), o vazamento da informação.

 

A Secretaria de Telecomunicações ganhou status de diretoria em 2004, quando já era comandada por Carlinhos. Segundo dados do Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), só em 2008 o Senado gastou R$ 18 milhões em serviços de telecomunicações.

 

Por meio de sua assessoria de imprensa, o senador Heráclito Fortes negou ontem que a exoneração de Carlinhos tenha relação com a confecção de um dossiê, que Heráclito, inclusive, também afirmou não existir. Segundo disse o primeiro-secretário, a saída de Carlinhos é uma "mudança natural". "Outras mudanças vão continuar a acontecer", anotou.

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