Carlos Britto será relator do caso Paulinho no STF

Procurador-geral já pediu quebra de sigilo de outros envolvidos no esquema de desvios do BNDES

FELIPE RECONDO, Agencia Estado

02 de junho de 2008 | 19h51

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto será o relator do inquérito contra o deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o  Paulinho da Força Sindical, acusado de envolvimento no esquema de desvio de verbas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), descoberto pela Polícia Federal na Operação Santa Tereza. Britto decidirá se autoriza ou não eventuais pedidos de diligências no caso. O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, indicou nesta segunda-feira, 2, inclusive, que já pediu a quebra de sigilos bancário e fiscal de outros envolvidos. Oficialmente, porém, o inquérito só aponta Paulinho como investigado.   Veja também: Corregedor entra com representação contra Moraes na Câmara Moraes diz que corregedor 'tem problema com Paulinho' Pedida a cassação de Paulinho, representação segue para o Conselho de Ética PSOL quer investigação de senador tucano Veja trechos do relatório da PF Íntegra do relatório 11 da Operação Santa Tereza  Enquete: Você acredita que Paulinho será cassado? Entenda o esquema de desvio de verbas do banco estatal O deputado, adiantaram seus os advogados, já protocolou na Procuradoria-Geral da União um ofício com a autorização formal para que seus sigilos bancário, fiscal e telefônicos sejam quebrados. Investigadores disseram que essas informações podem não ajudar na apuração. Dizem que Paulinho não depositaria na própria conta o dinheiro que teria recebido do esquema, mas sim na conta de familiares, assessores ou laranjas e, provavelmente, na rede de Organizações Não-Governamentais (ONGs) usadas pelo suposto esquema. De acordo com a Polícia Federal, Paulinho teria recebido um cheque de R$ 18.397,50, valor que corresponderia ao primeiro desembolso do banco para a Prefeitura de Praia Grande, e uma ordem de pagamento de R$ 82.162,93, referente a empréstimo concedido às Lojas Marisa. A PF identificou ainda que a ONG presidida pela mulher de Paulinho recebeu R$ 1,199 milhão do BNDES em operação não-reembolsável. Esse repasse foi feito quando o lobista João Pedro Moura, amigo de Paulinho, integrava o conselho de administração do Banco.Se o Ministério Público confirmar as suspeitas de que Paulinho se beneficiou, poderá denunciá-lo ao Supremo e pedir que uma ação penal seja aberta contra o deputado. Para isso, a maioria dos ministros do STF precisa concordar com o pedido.

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