WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Carlos Bolsonaro pagou 30% abaixo do valor de mercado por imóvel

Na avaliação da Prefeitura do Rio, apartamento de R$ 150 mil comprado com dinheiro vivo quando ele tinha 20 anos valia mais

Caio Sartori, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2020 | 19h18
Atualizado 25 de setembro de 2020 | 13h36

RIO – O imóvel que o vereador carioca Carlos Bolsonaro (Republicanos) comprou em dinheiro vivo quando tinha 20 anos foi vendido a ele, em tese, por preço 30% abaixo do que valia no mercado. Como mostrou o Estadão nesta quarta-feira, 23, o filho ‘zero dois’ do presidente Jair Bolsonaro desembolsou R$ 150 mil, em valores de junho de 2003, por um apartamento na Tijuca, zona norte da capital fluminense. O imóvel, porém, valia mais, pelo menos na avalição da prefeitura do Rio.

Ao analisar a escritura do cartório em que o negócio foi fechado, no centro carioca, percebe-se que Carlos teve um desconto generoso na aquisição. A alíquota do Imposto de Transmissão de Bens Intervivos (ITBI), que no Rio era de 2% do valor calculado pela prefeitura para o negócio, resultou em pagamento de R$ 4.269,98 ao erário. Para o município, portanto, o apartamento valia mais:  R$ 213.499,00.  A diferença seria R$ 63.499,00 acima do que o vereador, então exercendo seu primeiro mandato, registrou.

Em 2016, Carlos Bolsonaro declarou à Justiça Eleitoral que o imóvel valia R$ 205 mil. Corrigido pelo IPCA, índice oficial de inflação,o valor de 2003 equivaleria, em agosto de 2020, a R$ 368,8 mil.

Os valores calculados pelo município para os imóveis costumam ser conservadores. Ou seja, é mais comum um imóvel ser vendido por preço acima do avaliado oficialmente, embora a prefeitura tente, nesses casos, se aproximar do valor de mercado, para que não haja perdas para o Fisco.

Procurado pelo Estadão para explicar o porquê do desconto, o casal que vendeu a propriedade ao parlamentar não respondeu; o próprio Carlos, também não.

Flávio Bolsonaro é investigado por suspeita de ‘rachadinha’

Um dos irmãos de Carlos, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) é investigado pelo Ministério Público do Rio por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. As suspeitas envolvem recursos supostamente desviados do antigo gabinete do parlamentar, quando era deputado na Assembleia Legislativa do Rio. Os desvios teriam sido feitos por meio de um presumido esquema de “rachadinha” – repasse de parte ou todo o salário de assessores ao deputado.

O senador nega ter cometido irregularidades e diz ser alvo de perseguição política, cujo objetivo seria atingir o governo Bolsonaro. Afirma ainda que todas as transações da família foram feitas de forma lícita.

Carlos também é investigado pelo MP fluminense, mas as apurações ainda estão em etapas preliminares. A suspeita é parecida: por meio de funcionários “fantasmas”, ele se apropriaria dos salários de seus servidores, que não batiam ponto na Câmara Municipal. (COLABOROU WILSON TOSTA)

 

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