Fotos: Dida Sampaio e Wilton Junior
Fotos: Dida Sampaio e Wilton Junior

Carlos Bolsonaro e Major Olimpio trocam insultos nas redes sociais

Episódio é novo capítulo na disputa entre aliados de Bolsonaro e de Luciano Bivar pelo controle do PSL

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2019 | 17h29
Atualizado 14 de outubro de 2019 | 10h46

Um dia após participantes da Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC) destacarem a necessidade de unir a direita como forma de pavimentar a reeleição de Jair Bolsonaro em 2022 e reduzir desavenças internas, apoiadores do presidente voltaram ontem a discutir entre si nas redes sociais. O vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente, trocou farpas com o senador Major Olímpio, líder do PSL no Senado.

A discussão online começou quando Carlos classificou o senador como um “bobo da corte” que “diz absurdos”. “Conhecemos o ex-presidente do PSL/SP. No hospital, após a facada, o tal @majorolimpio chorou em frente a meu pai, que me determinou foco primordial na eleição do tal. Assim o fiz e, hoje, este senhor diz absurdos sobre o trabalho que exerço de forma esgotante. És um bobo da corte!”, escreveu.

O post acompanha o link de entrevista dada por Olímpio no sábado, durante os festejos do dia da Padroeira do Brasil, em Aparecida (SP), sobre a crise interna do PSL. Nela, o senador diz que “filhos com manias de príncipes desgastam Bolsonaro”.

O senador já havia atribuído aos filhos do presidente o desgaste enfrentado por ele dentro do PSL. Na semana passada, Bolsonaro externou a crise ao pedir a um militante que “esquecesse o PSL” e dizer que o presidente nacional da sigla, o deputado federal Luciano Bivar (PE), estava “queimado para caramba”. 

Olímpio rebateu Carlos: “Vá ser vereador no Rio de Janeiro que sua ausência ajudará muito o Brasil”, escreveu ele também em sua conta no Twitter. “Não vou permitir molecagem comigo e assistir calado os ‘príncipes’ prejudicando o governo do pai”, acrescentou, classificando as postagens de Carlos como “baixaria”.

O episódio expôs o racha entre dois grupos no PSL. Sem conseguir ter o controle do partido, aliados de Bolsonaro pedem mais transparência e exigem ter acesso à prestação de contas dos últimos cinco anos da sigla, para submeter o material a uma auditoria externa. Já Bivar quer uma “conferência” nos gastos da campanha do presidente. Em jogo estão cerca de R$ 400 milhões a que a sigla tem direito no fundo partidário.

Deputados divergem sobre carta em apoio a Bolsonaro

A carta em apoio ao presidente Jair Bolsonaro, divulgada na última quarta-feira, 9, por membros do PSL, aprofundou as disputas internas do partido. Neste domingo, os deputados federais Filipe Barros (PSL-PR) e Bia Kicis (PSL-DF) divulgaram vídeo no qual chamam Joice Hasselmann (PSL-SP) de desinformada, com uma fala repleta de "artifícios utilizados pela esquerda"

A presença de Bia Kicis e Filipe Barros nas redes sociais é uma resposta à ação de Joice Hasselmann (PSL-SP) que, neste sábado, também em manifestação por meio do Twitter, chamou a carta dos parlamentares do PSL de "coisa idiota". "A cartinha foi feita por um grupelho que se juntou e sequer comunicou o partido como um todo. Foi uma malandragem, uma armadilha", declarou a parlamentar, que também é líder do governo no Congresso Nacional. Joice não está entre os signatários do documento. 

Para os deputados federais Filipe Barros (PSL-PR) e Bis Kicis (PSL-DF), "pessoas de má-fé estão nos atacando, como se nós quiséssemos dividir o partido, o que não é verdade". "Se tem alguém que está trabalhando pela união somos nós, e não pessoas que estão fazendo alarde nas redes sociais e por baixo dos panos querem outras coisas", completou Filipe Barros.

Joice Hasselmann busca apoio para ser a candidata do PSL à prefeitura de São Paulo nas eleições de 2020, mas tem enfrentado resistências. Em entrevista exclusiva ao Estadão/Broadcast, na semana passada, a deputada afirmou que, se for não for indicada pelo partido, tem o salvo-conduto de outras siglas para disputar o pleito.

Filipe disse, no vídeo, que nem ele nem Bia Kicis têm interesse de mudar de partido, mas, sim, "corrigir os rumos" tomados pela sigla. "Nós tivemos que nos manifestar - depois de uma reunião com o presidente - que estamos com o presidente Bolsonaro. Isso não quer dizer que estamos contra o PSL, nem atacando alguém do PSL", declarou Bia Kicis

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