Cargas perigosas respondem por 34% dos acidentes ambientais

A Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim) vai lançar em 2 de maio o Sistema de Avaliação de Segurança, Saúde, Meio Ambiente e Qualidade, destinado a todos os prestadores de serviços na área de logística que envolvam produtos químicos. No ano passado, dos 50.233 acidentes com caminhões nas estradas brasileiras, 14.021 envolveram cargas perigosas, mostra o levantamento da Polícia Rodoviária Federal.De acordo com a Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em 2000, 34% dos desastres ambientais no Estado de São Paulo ocorreram por descuido e acidentes provocados pelo transporte de cargas perigosas.O sistema da Abiquim será recomendado como parâmetro para a qualificação e contratação de empresas de transporte de produtos químicos, tornando o processo mais ágil e visando a redução dos riscos envolvidos nas operações de transporte e distribuição de cargas químicas. "Vamos melhorar o padrão de segurança, saúde e meio ambiente na indústria química e nas empresas de sua cadeia produtiva", explica o coordenador da Comissão de Transportes da Abiquim, Cesar Garcia.AmadorismoO presidente da Associação Brasileira dos Transportadores de Cargas Líquidas e Produtos Perigosos (ABTLP), José Tardivo, elogia a iniciativa da Abiquim, porque o próprio setor de transportes não teria condições de resolver o problema sozinho. "O transporte rodoviário no Brasil sempre foi uma atividade empírica, amadora, porque a maior parte dos donos de empresas eram motoristas bem-sucedidos", explica. De mercado aberto - que não exigia qualificação técnica, prevalecendo a concorrência pela oferta mais baixa pelo serviço prestado -, o setor de transportes se prepara para dar um salto de qualidade. "Os bons transportadores já contam com uma frota cuja vida útil média é razoável", garante Tardivo. No Brasil, das cerca de 12.000 transportadoras entre 8% e 9% são especializadas ou se encaminham para a especialização do transporte de cargas perigosas.Prova de que o setor vem melhorando seus procedimentos é o indicativo da Cetesb, segundo o qual em 1999 ocorreram 205 acidentes com cargas perigosas, número que caiu para 172 ocorrências em 2000. Os acidentes desse tipo no Estado de São Paulo, em janeiro e fevereiro somaram 23, ante 38 no mesmo período de 2000.

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