Cardozo supera resistências e é indicado

Procurador e secretário-geral do PT, o deputado José Eduardo Martins Cardozo (SP) foi confirmado para o Ministério da Justiça do governo Dilma Rousseff, depois de ter amargado longo período de dificuldades de relacionamento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O motivo para Cardozo nunca ter conseguido chegar à Esplanada na gestão Lula foi o caso CPEM.

VERA ROSA, Agência Estado

04 Dezembro 2010 | 08h27

O presidente sempre guardou mágoa do deputado por ele ter vasculhado sua vida e por tentar incriminar seu compadre Roberto Teixeira. Tudo ocorreu em 1993, quando Cardozo integrou a comissão especial criada pela Executiva Nacional do PT para investigar denúncias feitas pelo petista Paulo de Tarso Venceslau, ex-secretário de Finanças de São José dos Campos, contra uma empresa chamada CPEM.

A acusação de Venceslau era grave. Segundo ele, Teixeira propunha a prefeituras do PT contratar a CPEM, sem licitação, para que a empresa prestasse assessoria na área de arrecadação de impostos. Em troca, a CPEM contribuiria com campanhas petistas.

Ao lado do então deputado Hélio Bicudo, que deixou o PT após o escândalo do mensalão, em 2005, Cardozo concluiu que tanto o compadre de Lula como Dirceu Teixeira - irmão do advogado - atuaram em nome da CPEM, vendendo seus serviços.

"Tal comportamento não qualificaria nenhum problema ético, se não fôssemos levados a concluir pelas evidências de que Roberto Teixeira não poderia deixar de saber (...) que os contratos firmados pela empresa CPEM apresentavam graves problemas. Atuou, a nosso ver, inclusive com evidente abuso da confiança de que desfrutava no partido em face da notória relação de amizade que mantém com o presidente de honra do PT", escreveu Cardozo, em referência a Lula, quatro anos depois da investigação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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