DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Cardozo recebe apoio de associações de magistrados

Ministro da Justiça se reuniu com representantes de duas entidades da categoria que disseram estar vigilantes em relação às pressões

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

24 Fevereiro 2015 | 20h48

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, recebeu nesta terça-feira, 24, em audiência duas associações de magistrados para tratar da reunião com advogados de empreiteira investigada na Operação Lava Jato. A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) defenderam a independência do Judiciário e a preocupação com interferência política na esfera judicial, mas manifestaram apoio ao ministro sobre o encontro com advogados.

"O ministro da Justiça tem restrições a se negar a receber advogados. E os advogados têm prerrogativa quanto a ter audiências. Mas estamos vigilantes em relação a pressões", disse o presidente da AMB, João Ricardo dos Santos, que se encontrou com o ministro no período da tarde.

Cardozo teria garantido aos representantes de juízes que não houve conversa com os advogados sobre interferência no processo judicial que envolve fatos da Lava Jato. Antônio César Bochenek, presidente da Ajufe, se encontrou com Cardozo no período da manhã para manifestar a posição de defesa de "independência do judiciário e garantia da transparência dos órgãos públicos". "Tivemos a garantia de que os juízes que atuarem na Operação Lava Jato não serão submetidos à pressão", disse o presidente da AMB.

As duas associações aproveitaram o encontro para tratar de possíveis alterações legislativas para reforçar o combate ao crime organizado. O governo prepara o "pacote anticorrupção", promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff, para ser lançado em breve. Tanto AMB como Ajufe disseram ter interesse em discutir com o ministério propostas de aperfeiçoamento do judiciário na esfera criminal. O ministro se mostrou aberto a receber as sugestões.

O pacote, em discussão entre Ministério da Justiça, Advocacia-Geral da União (AGU) e Controladoria-Geral da União (CGU) ainda está em debate dentro do governo.

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