DIDA SAMPAIO/ESTADAO
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Cardozo recebe apoio da OAB e diz que 'jamais' vai deixar de atender advogados

Após polêmica por encontro com representantes da defesa de empreiteiros investigados na Lava Jato, ministro da Justiça afirma ter cumprido 'dever legal'

Beatriz Bulla, O Estado de S. Paulo

25 Fevereiro 2015 | 15h02

Brasília - O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou na tarde desta quarta-feira, 25, que "jamais" deixará de receber advogados que o procurarem. Recentemente envolvido em uma polêmica por receber no Ministério da Justiça advogados da Odebrecht para tratar de assunto relativo à Operação Lava Jato, Cardozo recebeu nesta manhã o apoio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) sobre o tema.

"Eu, como ministro da Justiça, jamais deixarei o pedido de atender advogados, juízes, promotores ou defensores. É nosso dever, dever legal. Se há pessoas que ainda não ajustaram suas mentes ao Estado de Direito cabe a nós lutar para que isto ocorra", afirmou Cardozo. Questionado, ele disse não ter previsão em sua agenda de receber outros advogados para tratar da Operação Lava Jato.

O ministro aproveitou para dizer que já recebeu também, no período em que está à frente da pasta, integrantes do Ministério Público que pediram apoio em investigações de situações de corrupção nos Estados. "Os recebi, acolhi os pedidos e, ao receber pessoas do Ministério Público, várias operações da Polícia Federal foram realizadas. Dentro evidentemente das regras legais", disse o ministro.

Além do presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Coêlho, outros 12 representantes da classe tiveram uma audiência com Cardozo nesta manhã. "Já imaginei que teriam polêmicas como ministro da Justiça, mas jamais pensei que eu teria, no século 21, que polemizar sobre o fato de se uma autoridade deve receber advogados ou não", afirmou o ministro.

O presidente da OAB afirmou ter ido ao Ministério dizer a Cardozo que a "a advocacia brasileira compreende que autoridades públicas que recebem advogados estão cumprindo a lei, estão tão somente cumprindo a lei federal que é o estatuto da advocacia", afirmou.

Nessa terça, Cardozo teve reuniões com a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), que defenderam a independência do Judiciário e a preocupação com interferência política na esfera judicial, mas manifestaram apoio ao ministro sobre o encontro com advogados.

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